Santificação
parte 6:
Relação da
Santificação com Outros Estágios da Ordo Salutis.
É de considerável importância ter correta
concepção da relação que há entre a santificação e alguns dos outros estágios
da obra de redenção.
COM A CONVERSÃO: “conversão” em seu
sentido mais específico, ela indica uma mudança instantânea, e não um processo
como o da santificação. É uma mudança que se dá uma vez e não se pode
repetir; Sendo um efeito direto da
regeneração, naturalmente inclui uma transição nas operações próprias da nova
vida, do subconsciente para o consciente. Em vista disso, pode-se dizer que a
conversão começa nas profundezas da personalidade, mas, como um ato completo,
certamente está dentro das linhas abrangidas pela vida consciente. Isto põe em
relevo a estrita conexão existente entre a regeneração e a conversão. A
conversão que não esteja arraigada na regeneração, não é conversão verdadeira.A
conversão assinala o início, não só do despojamento do velho homem, da fuga do
pecado, mas também do revestimento do novo homem, da luta pela santidade no
viver. Na regeneração, o princípio pecaminoso da velha vida já é substituído
pelo princípio santo da nova vida. Mas é somente na conversão que esta
transição penetra a vida consciente, levando-a numa nova direção, rumo a Deus.
O pecador abandona conscientemente a vida antiga e pecaminosa e se volta para
uma vida em comunhão com Deus e a Ele devotada.
COM A REGENERAÇÃO. Vamos definir a
Regeneração: Regeneração é o ato de Deus pelo qual o princípio da nova vida
é implantado no homem, e a disposição dominante da alma é tornada santa. A regeneração
consiste na implantação do princípio da nova vida
espiritual no homem, numa radical mudança da disposição dominante da alma, que,
sob a influência do Espírito Santo, dá nascimento a uma vida que se move em
direção a Deus. Em princípio, esta mudança afeta o homem completo: o intelecto,
1 Co 2.14, 15; 2 Co 4.6; Ef 1.18; Cl 3.10; a vontade, Sl 110.3; Fp 2.13; 2 Ts
3.5; Hb 13.21; e os sentimentos ou emoções, Sl 42.1; Mt 5.4; 1 Pe 1.8.
b. É uma transformação instantânea
da
natureza do homem, afetando imediatamente o homem todo, intelectual, emocional
e moralmente. A afirmação de que a regeneração é uma mudança instantânea
implica duas coisas: (1) que não é uma obra que vai sendo levada a efeito
gradativamente na alma, como ensinam os católicos romanos e todos os
semi-pelagianos; não há nenhum estágio intermediário entre a vida e a morte; ou
a pessoa vive ou está morta; e (2) que não é um processo gradual como a
santificação. é uma mudança que ocorre na vida subconsciente. É uma secreta e
inescrutável obra de Deus que o homem nunca percebe diretamente. A mudança pode ter
lugar sem que o homem esteja cônscio dela momentaneamente, se bem que não é o
que se dá quando a regeneração e a conversão coincidem; e mesmo mais tarde ele
só pode percebe-la em seus efeitos. Isto explica por que
um cristão pode, por um lado, lutar durante longo tempo com dúvidas e
incertezas e, não obstante, pode, por outro lado, domina-las paulatinamente e
ascender às alturas da segurança.
Há
aqui diferença e semelhança. A regeneração é completada de uma vez, pois o
homem não pode ser mais ou menos regenerado; está vivo ou morto espiritualmente.
A santificação é um processo que produz mudanças graduais, de sorte que é possível distinguir diferentes graus da
santidade resultante. Daí, somos admoestados a aperfeiçoar a santidade, no
temor do Senhor, 2 Co 7.1. Ao mesmo tempo, a regeneração é o princípio da
santificação. A obra de renovação, iniciada naquela, tem prosseguimento nesta,
Fp 1.6. Diz Strong: “Ela (a santificação) se distingue da regeneração como o
crescimento se distingue do nascimento, ou como o fortalecimento de uma santa
disposição se distingue da comunicação original dela”. 2.
COM A JUSTIFICAÇÃO. Na aliança da graça a
justificação precede à santificação e lhe é básica. Na aliança das obras a
ordem da justiça e da santidade é precisamente o inverso. Adão foi criado com
uma santa disposição e inclinação para servir a Deus, mas, com base nesta santidade,
ele tinha que se sair bem na prática da justiça para ter direito à vida eterna.
A justificação é a base judicial da santificação. Vamos também definir a
Justificação: A justificação é um ato judicial de Deus, no qual Ele declara,
com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei são
satisfeitas com vistas ao pecador. Ela é singular, na obra da redenção, em que é
um ato judicial de Deus, e não um ato ou processo de renovação, como é o caso
da regeneração, da conversão e da santificação. Rm 5.1-10; Sl 32.1; Is 43.25;
44.22; Jr 31.34, Rm 5.21; 8.1, 32-34; Hb 10.14; Sl 103.12; Is
44.22, Deus tem direito de exigir de nós santidade no viver, mas, uma vez que
não podemos ter bom êxito com esta santidade por nós mesmos, Ele gratuitamente
a produz em nós, por intermédio do Espírito Santo, com base na justiça de Jesus
Cristo, que nos é imputada na justificação.
COM A FÉ. O que é Fé? Fé
Salvadora Pode-se definir a fé salvadora como uma
certa convicção,
produzida
pelo Espírito Santo no coração, quanto à veracidade do Evangelho, e uma
segurança (confiança) nas promessas de
Deus em Cristo. Em última análise, é certo, Cristo é o objeto da fé salvadora, mas
Ele nos é oferecido unicamente no Evangelho. Tipos de Fé: Fé
histórica. Pura e simples
apreensão da verdade, vazia de qualquer propósito moral ou espiritual.; Fé miraculosa. A fé miraculosa, assim chamada, é a persuasão
produzida na mente de uma pessoa de que um milagre será realizado por ela ou em
favor dela. Deus pode dar a uma pessoa um trabalho para fazer, que transcende
os seus poderes naturais, e capacita-la para fazêlo. Toda tentativa de realizar
uma obra dessa espécie requer fé Mt 17.20; Mc 16.17, 18. Fé temporal. Esta é a persuasão das verdades religiosas que
vem acompanhada de algumas incitações da consciência e de uma agitação dos
afetos, mas não tem suas raízes num coração regenerado. O nome é derivado de Mt
13. 20,21. É a chamada fé temporária porque não é permanente e não se mantém
nos dias de provação e perseguição.
A consciência do fato de que a
santificação se baseia na justificação e de que é impossível sobre qualquer
outra base, e de que o constante exercício da fé é necessário para haver avanço
no caminho da santidade, proteger-nos-á de toda justiça própria em nossa luta
para progredir na vida piedosa e na santidade em nosso viver. Merece particular
atenção aqui o fato de que, enquanto que mesmo
a mais fraca fé serve de meio para uma
justificação perfeita, o grau de santificação é proporcional ao vigor da fé
cristã e à persistência com que se apega a Cristo.
O Caráter
Imperfeito da Santificação Nesta Vida.
1. IMPERFEITA EM GRAU. É a totalidade do
novo homem, mas ainda não desenvolvida, que deve crescer rumo à plena estatura.
Uma criança recém-nascida é, salvo exceções, perfeita em suas partes, mas não
está no grau de desenvolvimento ao qual foi destinada. Justamente assim, o novo
homem é perfeito em suas partes, mas, na presente vida, continua imperfeito no
grau de desenvolvimento espiritual. Os crentes terão que combater o pecado
enquanto viverem, 1 rs 8.46; Pv 20.9; Ec 7.20; Tg 3.2; 1 jo 1.8. E quando os
crentes são descritos como perfeitos, nalguns casos significa meramente que
alcançaram pleno desenvolvimento, 1 Co 2.6; Hb 5.14; e, noutros casos, que se
acham plenamente equipados para a sua tarefa, 2 Tm 3.17.
Isso
tudo certamente não dá apoio à teoria da perfeição imune de pecado.
Segundo a Escritura, há uma guerra
constante entre a carne e o Espírito nas vidas dos
filhos de Deus, e mesmo os melhores deles
ainda estão lutando por perfeição, em sua existência terrena. Paulo nos dá uma extraordinária
descrição desta luta em Rm 7.7-26, passagem que certamente se refere a ele em
seu estado regenerado. Em Gl 5.16-24 ele fala dessa mesma luta como sendo uma
luta que caracteriza todos os filhos de Deus. E em Fp 3.10-14 ele fala de si próprio,
praticamente no final de sua carreira, como alguém que ainda não alcançara a
perfeição, prosseguindo avante para a meta.
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