Justificação
A. Termos
Bíblicos Para Justificação e Seus Significados.
1. O TERMO DO VELHO TESTAMENTO. O termo
hebraico para “justificar” é hitsdik, que, na grande maioria dos casos,
significa “declarar judicialmente que o estado de uma pessoa está na harmonia
com as exigências da lei”, Êx 23.7; Dt 25.1; Pv 17.5; Is 5.23. O piel tsiddek ocasionalmente tem o
mesmo significado, Jr 3.11; Ez 16.50, 51. O sentido destas palavras é, pois, estritamente
forense ou legal.
2. OS TERMOS DO NOVO TESTAMENTO E O SEU EMPREGO.
Temos aqui:
a. O verbo diakaioo. Este verbo
significa, em geral, “declarar que uma pessoa é justa”.
Ocasionalmente se refere a uma declaração
pessoal de que o caráter moral da pessoa está em conformidade com a lei, Mt
12.37; Lc 7.29; Rm 3.4. Nas epístolas de Paulo, é evidente que o significado
soteriológico do termo ocupa o primeiro plano. É, “declarar em termos forenses
que as exigências da lei, como condição de vida, estão plenamente satisfeitas
com relação a uma pessoa”, At 13.39; Rm 5.1, 9; 8.30-33; 1 Co 6.11; Gl 2.16;
3.11. Rm 3.20-28; 4.5-7; 5.1; Gl 2.16; 3.11; 5.4;
(b) é posta em relação antiética com o
termo “condenação” em Rm 8.33, 34; (c) expressões equivalentes e
intercambiáveis veiculam uma idéia judicial ou legal, Jo 3.18; 5.24; Rm 4.6,7;
2 Co 5.19; justificação. Vê-se apenas em dois lugares do Novo
Testamento, a saber, Rm 4.25 e 5.18. Denota o ato de Deus pelo qual Ele declara
os homens livres da culpa e aceitáveis a Ele.“Justificar”, no sentido
escriturístico da palavra, é efetuar uma relação objetiva, o estado da justiça,
por uma sentença judicial. Isto pode ser feito de duas maneiras: (a) levando em
conta a condição subjetiva real de uma pessoa (justificar o justo, o reto), Tg
2.21; ou (b) imputando a uma pessoa a justiça ou retidão de outra, isto é, considerando-a
justa, apesar de ser interiormente injusta. Este último é o sentido usual da
justificação no Novo Testamento.
Natureza e
Características da Justificação.
A
justificação é um ato judicial de Deus, no qual Ele declara, com base na
justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei são satisfeitas com
vistas ao pecador. Ela é singular, na obra da redenção, em que é um ato judicial de
Deus, e não um ato ou processo de renovação, como é o caso da regeneração, da
conversão e da santificação. Conquanto diga respeito ao pecador, não muda a sua
vida interior. Não afeta a sua condição, mas, sim, o seu estado ou posição, e
nesse aspecto difere de todas as outras principais partes da ordem da salvação.
Ela envolve o perdão dos pecados e a restauração do pecador ao favor divino. A
justificação remove a culpa do pecado e restaura o pecador a todos os direitos
filiais
envolvidos em seu estado de filho de
Deus, incluindo uma herança eterna. A justificação dá-se fora do pecador, no
tribunal de Deus, e não muda a sua vida interior,
embora a sentença lhe seja dada a
conhecer na vida interna do homem e gradativamente afete todo o seu ser; A
justificação acontece uma vez por todas. Não se repete, e não é um processo; é imediatamente
completa e para sempre. Não existe isso, de mais ou menos justificação; ou o homem
é plenamente justificado, ou absolutamente não é justificado.
Elementos da
Justificação.
Distinguimos dois elementos na
justificação, um negativo e o outro positivo.
1. O ELEMENTO NEGATIVO. Há primeiramente
um elemento negativo na justificação, qual seja, a remissão dos pecados com
base na obra expiatória de Jesus Cristo. Este elemento se baseia mais
particularmente, embora não exclusivamente, na obediência passiva do Salvador. Sl
32.1; Is 43.25; 44.22; Jr 31.34, Tanto o Velho Testamento
como o Novo dão prova de que o perdão dos
pecados é um elemento importante da justificação, como se vê em passagens como
Rm 4.5-8; 5.18, 19; Gl 2.17. O perdão concedido na justificação aplica-se a todos
os pecados, passados, presentes e futuros, e, desse modo, envolve a remoção de
toda culpa e de toda penalidade. Isto decorre do fato de que a justificação não
admite repetição, e de passagens como Rm 5.21; 8.1, 32-34; Hb 10.14; Sl 103.12;
Is 44.22, que nos asseguram que ninguém pode lançar nada na conta do homem
justificado, que isento da condenação, e que é constituído da vida eterna. a
justificação, Deus deveras remove a culpa, mas não a culpabilidade do pecado,
isto é, Ele remove a justa sujeição do pecador à punição, mas não a
culpabilidade inerente de quaisquer pecados que ele continue praticando. Esta
permanece e, portanto, produz sempre nos crentes um sentimento de culpa, de separação
de Deus, de tristeza, de arrependimento, e assim por diante. Daí, eles sentem a
necessidade de confessar os seus pecados, mesmo os pecados da sua mocidade, Sl
25.7; 51.5-9.
O ELEMENTO POSITIVO. a justificação é
mais que o perdão puro e simples. A Josué, o sumo sacerdote, que, como
representante de Israel, estava perante o Senhor usando vestes sujas, disse
Jeová: “Eis que tenho feito que passe de ti a tua iniquidade (elemento
negativo), e te vestirei de finos trajes” (elemento positivo), Zc 3.4. Segundo
At 26.18, obtemos pela fé “remissão de pecados e
herança entre os que são santificados”. Romanos 5.1, 2 nos ensina que a fé nos traz
não somente paz com Deus, mas também acesso a Deus e alegria na
esperança da glória. E segundo Gl 4.5, Cristo nasceu sob a lei também “a fim de que recebêssemos
a adoção de filhos: A adoção de filhos. Os crentes são,
antes de tudo, filhos de Deus por adoção. Isto implica, naturalmente, que eles
não são filhos de Deus por natureza, Esta adoção é um ato legal, pelo qual Deus
coloca o pecador no estado de filho, mas não o transforma interiormente, como
tampouco os pais mudam, pelo mero ato de adoção, a vida interior de um filho
adotado. A mudança efetuada tem que ver com a relação em que o homem se acha
com Deus. Em virtude da sua adoção, os crentes são, por assim dizer, iniciados
na própria família de Deus, ficam sob a lei da obediência filial e, ao mesmo
tempo, passam a ter direito a todos os privilégios da filiação. Eles não são
somente adotados por Deus para serem Seus filhos, mas também são nascidos de
Deus. Naturalmente, as duas coisas não podem separar-se. São mencionadas juntas
em Jo 1.12; Rm 8.15, 16; Gl 3.26, 27; 4.5, 6. Em Rm 8.15; Gl 4.5, 6;
O
direito à vida eterna. Quando os pecadores são adotados para serem filhos de Deus, são
revestidos de todos os direitos filiais legais e se tornam herdeiros de Deus e
co-herdeiros com Cristo, Rm 8.17. Isto significa, antes de tudo, que eles se
tornam herdeiros de todas as bênçãos da salvação na presente vida, sendo que a
mais fundamental delas é descrita com as palavras, “o Espírito prometido”, isto
é, a bênção é oferecida na forma do Espírito, Gl 3.14; e, numa frase um pouco
diferente, “o Espírito de seu Filho”, Gl 4.6.
1. JUSTIFICAÇÃO ATIVA OU OBJETIVA. consiste
numa declaração que Deus faz a respeito do pecador, declaração feita no
tribunal de Deus. Não se trata de uma declaração de que Deus simplesmente
absolve o pecador, sem levar em conta as reivindicações da justiça, mas, sim,
de uma declaração divina de que, no caso do pecador em foco, as exigências da
lei são satisfeitas. O pecador é declarado justo em vista do fato de que a justiça
de Cristo lhe é imputada.
2. JUSTIFICAÇÃO PASSIVA OU SUBJETIVA. A
justificação passiva ou subjetiva tem lugar no coração ou na consciência do
pecador. A concessão de perdão a um
prisioneiro não significaria nada, se as
alegres novas não lhe fossem comunicadas e as portas da prisão não fossem
abertas. Ale´m disso, é exatamente neste ponto, melhor do que noutro qualquer,
que o pecador aprende a entender que a salvação é inteiramente de graça.
A Escritura fala de uma graça ou
misericórdia de Deus que é desde a eternidade, Sl 25:6;103.17. Ora, toda graça
ou misericórdia que seja desde a eternidade tem que ter como sua base judicial
uma justificação que seja também desde a eternidade.
As crianças também precisam da
justificação, para serem salvos, e, todavia, é-lhes
totalmente impossível experimentar a
justificação pela fé. Mas, embora seja mais que certo que as crianças que ainda
não atingiram a maturidade não podem ter experiência da justificação passiva,
podem ser justificados ativamente no tribunal de Deus e, assim, podem ter posse
daquilo que é absolutamente essencial.
A fé é o instrumento pelo qual nos
apropriamos de Cristo e Sua justiça. Rm 3.21, 27, 28; 4.3, 4; Gl 2.16, 21;
3.11. de acordo com o claro ensino da Bíblia, somos
justificados pela fé, dia
pisteos,
e que esta preposição (dia) só pode ser entendida no sentido instrumental, Rm
3.28; Gl 3.8; (b) que a Bíblia diz explicitamente que Deus justifica o pecador
pela fé, e, portanto, apresenta a fé como instrumento de Deus, Rm 3.30; e (c)
que a fé também é apresentada como instrumento do homem, como o meio pelo qual
ele recebe a justificação, Gl 2.16. A fé pode ser considerada como instrumento
de Deus num sentido duplo. É um dom de Deus, sendo produzida no pecador para a
justificação; Rm 4.5; Gl 2.16. Pela fé abraçamos a Cristo e ficamos em contato
com Ele, que é a nossa justiça. pela fé, o pecador se aproprianda justiça de
Cristo e estabelece uma união consciente entre ele e Cristo.
Base da
Justificação.
A Escritura nos ensina com muita clareza
que o homem é justificado gratuitamente pela graça de Deus, Rm 3.24, e que não
tem nenhuma possibilidade de ser justificado pelas obras da lei, Rm 3.28; Gl
2.16; 3.11. a base da justificação só se pode achar a justiça perfeita de Jesus
Cristo, justiça imputada ao pecador a
justificação. Isto é ensinado claramente em diversas passagens da Escritura,
tais como Rm 3.24; 5.9, 19; 1 Co 1.30; 6.11; 2 Co 5.21; Fp 3.9. Na obediência
passiva de Cristo, que se fez maldição por nós(Gl 3.13), vemos a base para o
perdão dos pecados; e em sua obediência ativa, pela qual Ele mereceu todos os
dons da graça, incluindo a vida eterna, veremos a base para a adoção de filhos,
pela qual os pecadores são constituídos herdeiros da vida eterna.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado pela sua visita! VOLTE SEMPRE!