Aniversario da Igreja nesta sexta
A interpretação literal do termo “dia” em
Gn 1 é favorecida pelas seguintes considerações: (a) Em seu significado
primário, a palavra yom denota um dia natural; e é boa regra de
exegese não abandonar o significado primário de uma palavra, a menos que isto
seja exigido pelo contexto. O dr. Noortzij salienta o fato de que esta palavra
simplesmente não significa outra coisa senão “dia”, como este é conhecido pelo
homem na terra. (b) O autor de Gênesis parece ter-nos aprisionado absolutamente
na interpretação literal acrescentando, quanto a cada dia, as palavras: “houve tarde
e houve manhã”. Cada um dos dias mencionados tem precisamente uma tarde e uma manhã,
coisa que dificilmente se poderia aplicar a um período de mil anos. E se se
disser que os períodos da criação foram dias extraordinários, cada um deles
consistindo de um longo dia e uma longa noite, levantar-se-á naturalmente a
questão: Que seria da vegetação durante a compridíssima noite? (c) Em Ex
20.9-11 ordena-se a Israel que trabalhe seis dias e descanse no sétimo, porque
Jeová fez os céus e a terra em seis dias e descansou no sétimo. Uma boa exegese
parece exigir que a palavra “dia” seja tomada no mesmo sentido em ambos os
casos. Além disso,
o sábado separado para descanso e
certamente um dia literal; e o que se pode presumir é que os outros dias eram
da mesma espécie. (d) Os últimos três dias certamente foram dias precedentes não
diferiam nem um pouco deles em duração, é exatamente improvável que diferissem
deles como períodos de milhares de anos diferem dos dias comuns. Pode-se também
indagar por que se requeria um período tão longo assim para, por exemplo, a
separação de luz e trevas.
A OBRA DOS DIAS SEPARADOS. Observamos na
obra da criação uma definida
graduação, sendo que a obra de cada dia
se encaminha para a obra do dia subseqüente e a prepara; culminado tudo na
criação do homem, a coroa das obras das mãos de Deus e aquém foi confiada a
tarefa de fazer que toda a criação fosse subserviente à glória de Deus.
a. O primeiro dia. No primeiro dia a luz
foi criada e, pela separação da luz e trevas, o dia e a noite foram
constituídos.
b. O segundo dia. A obra do segundo dia
também foi uma obra de separação: o firmamento foi estabelecido com a divisão
das águas de cima e as águas de baixo. As águas de cima são as nuvens, e não,
como dizem alguns, o mar de vidro, Ap 4.6; 15.2, e o rio da vida, Ap 22.1.
c. O terceiro dia. A separação é levada
avante ainda com a separação entre o mar e a terra seca, cf. Sl 104.8. Em
acréscimo a isso, foi estabelecido o reino vegetal de plantas e arvores. Três grandes
classes de vegetais são mencionadas, a saber, deshe’, isto é plantas que não
dão flores, que não frutificam umas das outras da maneira usual; ’esebh, consistindo de
vegetais e grãos que dão semente; e ’ets peri ou arvores frutíferas,
que dão frutos segundo a sua espécie. Deve-se notar aqui: (1) Que, quando Deus
disse, “Produza a terra relva” etc., isso não equivale a dizer: Desenvolva-se a
matéria inorgânica, por sua própria energia inerente, tornando-se vida
vegetal.
Foi uma palavra de poder pela qual Deus
implantou o principio de vida na terra, e assim capacitou-a a produzir relva,
ervas e árvores. Gn 2.9 evidencia que se trata de uma palavra criadora. (2) Que
a declaração, “A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo a
sua espécie, e arvores que davam fruto, cuja semente estava nele, conforme a
sua espécie” (vers. 12), favorece definitivamente a idéia de que as diferentes
espécies de plantas foram criadas por Deus, e não que se desenvolveram umas das
outras.
d. O quarto dia. Sol, lua e estrelas
foram criados como luzeiros ou portadores de luz para servirem a uma variedade
de propósito: (1) dividir o dia e a noite; (2) ser para sinais, isto é, indicar
os pontos cardeais, pressagiar mudanças nas condições do tempo, e servir de
sinais de importantes eventos futuros e juízos vindouros; (3) ser para estações
e para dias e anos, isto é, para atender ao propósito de efetuar a mudança das
estações, a sucessão dos anos e a regular ocorrência de dias festivos
especiais; e (4) servir como luzes para a terra e, assim, possibilitar o desenvolvimento
da vida orgânica na terra.
e. O quinto dia. Este dia traz a
criação das aves e dos peixes, habitantes das águas e dos ares. Aves e peixes
estão juntos porque há grande similaridade em sua estrutura orgânica. Também se
assemelham em seu processo de procriação. Observe-se que eles também foram
criados segundo a sua espécie, isto é, as espécies foram criadas.
f. O sexto dia. Este dia traz o clímax
da obra da criação. Em conexão com a criação dos animais, emprega-se mais uma
vez a expressão, “Produza a terra”, e isto de novo deve ser interpretado do
modo indicado no item (c). Os animais não se desenvolveram naturalmente da terra,
mas foram produzidos pelo fiat criador de Deus. A criação do homem se
distingue pelo solene conselho que a precede: “Façamos o homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança”; e não é para espantar-nos, desde que tudo que a
precedeu foi apenas uma preparação para o surgimento do homem, a coroa da obra
de Deus, o rei da criação; e porque o homem foi destinado a ser a imagem de
Deus. e quando se acrescenta que ele foi criado conforme a semelhança de Deus,
isto
meramente acrescenta a idéia de que a
imagem é de todos os modos semelhante ao original. Em todo o seu ser o homem é
a própria imagem de Deus.
g. O sétimo dia. O descanso de Deus no
sétimo dia contém, antes de tudo, um elemento negativo. Deus cessou a Sua obra
criadora. Mas a isso deve ser acrescentado um elemento positivo, a saber, que
Ele teve prazer em Sua obra completa. Seu repouso foi o repouso do artista que,
após haver completado a sua obra prima, agora a observa com profunda admiração
e deleite, e se satisfaz perfeitamente contemplando sua produção. Daí, Deus se
regozija com a Sua criação, pois reconhece nela o reflexo das Suas gloriosas
perfeições. Seu resplandecente semblante brilha sobre ela e lhe derrama chuvas
de bênçãos.
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