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quinta-feira, 20 de junho de 2013
terça-feira, 18 de junho de 2013
Obra sacerdotal de Cristo-Obra Intercessora de Cristo
Obra sacerdotal de Cristo- Obra Intercessora de Cristo
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OBRIGADO SENHOR! Obrigado a cada um de vocês que visualização nosso blog e espero que ele possa ter edificado a muitos e animado a muitos outros. Obrigado a você e sua família!
segunda-feira, 17 de junho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
terça-feira, 11 de junho de 2013
Obra Sacerdotal de Cristo Expiação (Expiação Vicária) Parte 3
IV. A
Natureza da Expiação
A.
Declaração da Doutrina da Expiação Substitutiva e Penal.
1. A EXPIAÇÃO É OBJETIVA. Que dizer que a
expiação influi primordialmente na pessoa por quem é feita. Se um homem age mal
e presta satisfação do mal que praticou, esta satisfação visa a influir na
pessoa que praticou o mal, e não na parte ofendida. No caso em foco, significa
que a expiação foi destinada a propiciar
a Deus e reconciliá-lo com o pecador. Esta é, indubitavelmente, a idéia
primordial, mas não implica que não podemos falar também da reconciliação do
pecador com Deus. A Escritura o faz em mais de um lugar, Rm 5.10; 2 Co 5.19,
20. Deve-se ter em mentem, porém, que isto não é equivalente a dizer que o
pecador é expiado, o que significaria que Deus fez emendas ou reparações, que
Ele prestou satisfação ao pecador. E mesmo quando dizemos que o pecador foi
reconciliado, isto dever ser entendido como algo secundário. O Deus reconciliado
justifica o pecador que aceita a reconciliação, e de tal modo opera em seu
coração pelo Espírito Santo, que o pecador põe de lado a iníqua alienação de
Deus e, assim, participa dos frutos da perfeita expiação de Cristo. Noutras
palavras, o fato de que Cristo reconcilia a Deus com o pecador redunda numa
ação reflexa da parte do pecador, em virtude da qual se pode dizer que o
pecador se reconcilia com Deus. Desde que a expiação objetiva de Cristo é um
fato consumado, e desde que agora é dever dos embaixadores de Cristo induzir os
pecadores a aceitar a expiação e a pôr fim à sua hostilidade a Deus, não admira
que ao aspecto secundário e subjetivo da reconciliação tem, certa proeminência
na Escritura. Esta exposição do caráter objetivo da expiação é colocada em
primeira plana porque representa a principal diferença entre os que aceitam a
doutrina da expiação para satisfação e os que preferem alguma outra teoria. Surge
aqui a questão sobre se este entendimento da expiação tem o apoio da escritura.
Vê-se amplo apoio nela. Devemos notar as seguintes particularidades:
a. O caráter fundamental do sacerdócio
aponta claramente nessa direção. Enquanto os profetas representavam Deus entre
os homens, os sacerdotes, em sua obra sacrificial e intercessória,
representavam os homens na presença de Deus e, portanto, dirigiam-se a Deus. O escritor
de Hebreus o expressa deste modo: “Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado
dentre os homens, é constituído nas cousas concernentes a Deus, a favor dos homens”, 5.1.
Esta afirmação contém os seguintes elementos: (1) O sacerdote é tomado dentre
os homens, é membro da raça humana, de maneira que pode representar os homens;
(2) é constituído a favor dos homens, isto é, para agir no interesse dos
homens; e (3) é constituído para representar os homens nas coisas concernentes
a Deus, isto é, nas coisas que se dirigem rumo a Deus, que olham para Deus, que
acabam em Deus. É isto uma clara indicação do fato de que a obra do sacerdote
tem em vista primordialmente a Deus. O que não exclui a idéia de que a obra sacerdotal
também tem uma influencia reflexa sobre os homens.
b. A mesma verdade é transmitida pela
idéia geral dos sacrifícios.Estes Têm evidentemente, um aspecto objetivo. Mesmo
entre os gentios, eles eram apresentados, não aos homens, mas a Deus.
Supunha-se que eles produziam efeito em Deus. A idéia escriturística do
sacrifício não difere disso, em sua relação objetiva. Os sacrifícios do Velho
testamento eram apresentados a Deus primeiramente para expiar o pecado, mas
também como expressões de devoção e gratidão. Daí, o sangue tinha que ser
levado às expressa presença de Deus. Diz o escritor de Hebreus que as “cousas
concernentes a Deus” consistem em “oferecer assim dons como sacrifícios pelos pecados”.
Os amigos de Jó foram concitados a apresentar sacrifícios “para que eu”diz o
Senhor,“não vos trate segundo a vossa loucura”, Jó 42.8. os sacrifícios serviam
de instrumentos para amenizar a ira do Senhor.
c. A palavra hebraica kipper (no piel) expressa a idéia de
expiação do pecado pela cobertura do pecado ou do pecador. O sangue do
sacrifico é interposto entre Deus e o pecador e, em vista da ira de Deus, Na
Septuaginta e no Novo Testamento os termos hilaskom e hilasmos
são empregados
num sentido conexo. O verbo significa “tornar propicio”, e o substantivo,“apaziguamento”
ou “meio de apaziguar”. São termos de caráter objetivo. No grego clássico muitas
vezes ocorrem em construções gramaticais com o acusativo de theos (Deus), embora não haja
exemplo disto na Bíblia. No Novo Testamento o correm em construções com o
acusativo da coisa referida (hamartias), Hb 2.17, ou com peri e o genitivo da coisa
(harmation), 1 Jo 2.2; 4 .10. Interpreta-se
melhor a primeira passagem à luz do uso do hebraico kipper; a última pode ser interpretada
de modo semelhante, ou com theon como o objeto compreendido. Há tantas passagens
que falam da ira de Deus e de Deus estando irado com os pecadores, que estamos plenamente
justificados por falar de uma propiciação de Deus, Rm 1.18; Gl 3.10; Ef 2.3; Rm
5.9. Em Rm 5.10 e 11.28 os pecadores são chamados “inimigos de Deus” (echthroi)
num
sentido passivo, indicando, não que são hostis a Deus, mas que são objetos de
desprazer de Deus. Na primeira passagem este sentido é exigido por sua ligação
com o versículo anterior; na ultima, pelo fato de que echthroi
está
em contraste com agapetoi, que significa “os que amam a Deus”, mas,sim, “amados de
Deus”.
d. As palavras katalasso
e katalage
significam
“reconciliar” e “reconciliação”. Indicam uma ação pela qual a inimizade e
certamente possuem, primeiramente, uma significação objetiva. O ofensor
reconcilia, não a si próprio, mas a pessoa ofendida. Isto vem demonstrado
claramente em Mt 5.23, 24: “Se, pois, ao trazeres ap altar a tua oferta, ali te
lembrares de que teu irmão tem alguma cousa contra ti, deixa perante o altar a
tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão (o que, neste contexto,
só pode significar, reconcilia teu irmão contigo mesmo, o que é objetivo); e,
então voltando, faze a tua oferta”. O irmão que supostamente fizera a ofensa é
procurado para que o mal ou a injustiça feita seja retirada. Ele precisa
propiciar ou reconciliar consigo o seu irmão,seja qual for a compensação
requerida. Em conexão com a obra de Cristo, as palavras que estão sendo
consideradas certamente denotam, nalguns casos, a efetuação de uma mudança na relação
judicial entre Deus e o pecador pela retirada da demanda judicial. De acordo co
2 Co 5.19, o fato de que Deus reconciliou Consigo o mundo evidencia que Ele não
lhe imputa os seus pecados. Isto não mostra nenhuma mudança moral ocorrida no
homem, mas, sim o fato de que as exigências da lei estão satisfeitas e que Deus
está satisfeito.Em Rm 5.10, 11 o termo “reconciliação” só pode ser entendido
num sentido objetivo, pois, (1) dela se diz que foi efetuada pela morte de
Cristo, ao
passo que a reconciliação subjetiva é resultado da obra do Espírito; (2) foi
efetuada enquanto ainda éramos inimigos, isto é, enquanto ainda éramos objetos
da ira de Deus; e (3) é descrita no versículo 11 como uma coisa objetiva que
recebemos.
e. Os termos lytron e
antilytron também são objetivos. Cristo é o Goel, o Libertador, At
20.28;1 Co 6.20; 7.23. Ele resgata os pecadores das exigências da justiça
retributiva de Deus. O preço é pago a Deus por Cristo como representante do
pecador. É evidente que a Bíblia nos justifica abundantemente na atribuição que
fazemos de um caráter objetivo à expiação.Além disso,estritamente falando, a
expiação, no sentido próprio da palavra, é sempre objetiva. Não existe expiação
subjetiva. Na expiação é sempre a parte que agiu mal que faz reparações àquele
que foi prejudicado pela má ação.
2. É UMA EXPIAÇÃO VICÁRIA.
a. sentido da expressão “expiação
vicária”. Há diferença entre expiação pessoal e vicária. Nosso interesse se
volta particularmente para a diferença entre ambas quanto à expiação de Cristo.
Quando o homem caiu e se afastou de Deus, ficou devendo uma reparação a Deus.
Mas ele só poderia expiar o seu pecado sofrendo eternamente a penalidade fixada
para a transgressão. É o que Deus podia exigir, pela estrita justiça, e teria
exigido, se não tivesse agido com amor e compaixão pelo pecador. De fato,
porém, Deus designou um substituto na pessoa de Jesus Cristo para tomar o lugar
do homem, e este substituto expiou o pecado e obteve eterna redenção para o
homem. O dr. Shedd chama a atenção para os seguintes pontos de diferença neste
caso: (1) A expiação pessoal é providenciada pela parte ofensora; a expiação
vicária, pela parte ofendida. (2) A expiação pessoal excluiria o elemento de
misericórdia; a expiação vicária representa a mais elevada forma de
misericórdia. (3) A expiação pessoal estaria em ação para sempre e, daí, não
poderia redundar em redenção; a expiação vicária leva à reconciliação e a vida
eterna.
b. A possibilidade da expiação
vicária. Todos
quantos defendem uma teoria subjetiva da expiação levantam uma formidável
objeção à idéia da expiação vicária. Acham inimaginável que um Deus justo
transfira a Sua ira contra ofensores morais para uma parte perfeitamente
inocente,e que trate judicialmente o inocente como se fosse culpado. Há,
indubitavelmente, uma real dificuldade aqui, especialmente em vista do fato de
que isto parece contrário a toda analogia humana. Não podemos concluir da
possibilidade da transferência de um débito pecuniário que haja possibilidade
de transferência de um débito penal. Se uma pessoa bondosa se oferecer para pagar
o débito pecuniário de outrem, o pagamento terá que ser aceito e, ipso
facto, o
devedor ficará livre de toda obrigação. Mas não é este o caso, quando alguém se
oferece para expiar vicariamente a
transgressão de outrem. Para ter valor legal, precisa ser expressamente
permitido e autorizado pelo legislador. Com referência à lei, isto se chama
relaxação judicial, e, com relação ao pecador, é conhecido como remissão. O
juiz não necessita permitir isso, mas poderá fazê-lo; todavia, poderá
permiti-lo somente sob certas condições, como (1) que a parte culpada não
esteja em condições de suportar a penalidade até o fim, pelo que resulta numa
relação justa; (2) que a transferência não invada os direitos e privilégios de
terceiros inocentes, nem os leve a sofrer dificuldades e privações; (3) que a
pessoa que se dispõe a sofrer a penalidade já não seja devedora à justiça, e
não tenha que prestar serviços devidos ao governo; e (4) que a parte culpada
mantenha a consciência da sua culpa e do fato de que o substituto estará
sofrendo por ela. Em vista disso tudo, poder-se-á entender que a transferência
do débito penal é quase, senão inteiramente, impossível entre os homens. No
caso de Cristo, porém, totalmente único que é, porquanto obteve uma situação
sem paralelo, todas as condições mencionadas foram preenchidas. Não houve
injustiça de nenhuma espécie.
c. Provas bíblicas da expiação
vicária de Cristo. A Bíblia certamente ensina que os
sofrimentos e a morte de Cristo foram
vicários, e vicários no sentido estrito da palavra, que Ele tomou o lugar dos
pecadores, e que a culpa deles Lhe foi imputada e a punição que mereciam foi transferida
para Ele. Não é nada disso que Bushnell quer dizer quando fala do “sacrifício
vicário” de Cristo. Para ele, isto significa apenas que Cristo levou sobre Si os
nossos pecados “em Seu sentimento”, inseriu-se no mau destino dos pecadores por
Sua simpatia, como amigo, e até mesmo se dedicou, e dedicou Sua vida, a um
esforço pela restauração da misericórdia; numa palavra, que Ele levou sobre Si
os nossos pecados no mesmo sentido em que levou sobre Si as nossas enfermidades”.1 Os sofrimentos de
Cristo não foram tão somente os sofrimentos que um amigo padece por simpatia,
mas, sim, foram os sofrimentos substitutivos do Cordeiro de Deus pelos pecados
do mundo. As provas escriturísticas disto podem ser classificadas como segue:
(1) O Velho Testamento nos ensina a
considerar como vicários os sacrifícios que eram
apresentados sobre o altar. Quando o
israelita apresentava um sacrifício ao Senhor, tinha que pôr a mão sobre a
cabeça do sacrifício e confessar o seu pecado. Este ato simbolizava a transferência
do pecado para a oferta e a tornava apta para expiar o pecado do ofertante, Lv
1.4. Cave e outros consideram esse ato apenas como um símbolo de dedicação.1 Mas isto não explica a
razão pela qual a imposição das mãos habilitava o sacrifício a fazer expiação
pelo pecado.
Tampouco está em harmonia com o que
aprendemos a respeito do significado da imposição das mãos no caso do bode
expiatório em Lv 16.20-22. Após a imposição das mãos, a morte era infligida
vicariamente ao animal oferecido em sacrifício. A significação disto é
claramente indicada na passagem clássica que se acha em Lv 17.11: “Porque a
vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer
expiação pelas vossas almas: porquanto é o sangue que fará expiação em virtude
da vida”. Diz o dr. Vos: “O animal sacrificial toma, em sua morte, o lugar da
morte que cabia ao ofertante. É pena por pena”. Os sacrifícios assim
apresentados eram prefigurações do grande e único sacrifício de Jesus Cristo.
(2) Há várias passagens na Escritura que
falam dos nossos pecados sendo lançados sobre Cristo e de Cristo levando sobre
Si o pecado ou a iniqüidade, Is 53.6, 12; Jo 1.29; 2 Co 5.21; Gl 3.13; Hb 9.28;
1 Pe 2.24. Com base na Escritura podemos, pois, dizer que os nossos pecados são
imputados a Cristo. Não significa que a nossa pecaminosidade foi transferida
para Ele – coisa em si mesma completamente impossível – mas, sim, que a culpa
do nosso pecado Lhe foi imputada. Diz o dr. A. A. Hodge: “Pode-se considerar o
pecado (1) em sua natureza formal, como transgressão da lei, 1 Jo 3.4; ou (2)
como qualidade moral inerente ao agente (macula, Mácula), Rm 6.11-13;
ou (3) com respeito à sua obrigação legal para com a punição (reatus, condição de réu,
culpabilidade). Somente neste último sentido sempre se diz que o pecado de u é
lançado sobre ou é por este levado sobre si”.2 Estritamente falando,
então, a culpa do pecado, como coisa passível de punição, foi imputada a
Cristo; e esta só pôde ser transferida porque não era inerente à pessoa do
pecador, mas era uma coisa objetiva.
(3) Finalmente, há diversas passagens em
que as preposições peri, hyper e anti são
empregadas em conexão com a obra
realizada por Cristo em favor dos pecadores. A idéia de substituição é menos
expressa pela primeira, e mais pela última preposição. Mas, mesmo para a interpretação
de hyper
e anti, temos que depender
grandemente do contexto, pois, embora a primeira signifique realmente “a favor
de”, “no interesse de”, pode expressar, e nalguns casos expressa, a idéia de
substituição, e embora a última possa significar “em lugar de”, nem sempre tem
esse sentido. É muito interessante notar que, de acordo com Deismann,
encontraram-se nas inscrições vários exemplos do uso de hyper significando “como
representante de”.3 Vemos um emprego parecido desta preposição em
Filemom 13. Em passagens como Rm 5.6-8; 8.32; Gl 2.20; Hb 2.9, provavelmente
significa “em lugar de”, embora também possa ser traduzida por “em favor de”;
mas em Gl 13.13; Jo 11.50; 2 Co 5.15, certamente significa “em lugar de”. Diz Robertson
que só a violência ao texto poderá evitar esse sentido ali. A preposição anti significa claramente “em
lugar de” em Mt 2.22; 5.38; 20.28; Mc 10.45. Segundo Robertson, qualquer outro sentido
do termo está fora de questão nessas passagens. A mesma idéia é expressa em 1
Tm 2.6.
INCLUI A OBEDIÊNCIA ATIVA E PASSIVA DE
CRISTO. É costume distinguir-se entre a obediência ativa e a obediência passiva
de Cristo. Mas, ao fazer-se discriminações entre ambas, deve-se entender
distintamente que elas não podem ser separadas. As duas acompanham uma à outra
em todos os pontos da vida do Salvador. Há uma constante interpretação de
ambas. Uma parte da obediência ativa de Cristo era que Ele se sujeitasse
voluntariamente aos sofrimentos e à morte. Ele mesmo diz, referindo-se à Sua
vida: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou”, Jo
10.18. Por outro lado, também era parte da obediência passiva de Cristo que Ele
vivesse em sujeição à lei. Seu viver de servo constitui um importante elemento
dos Seus sofrimentos. A obediência ativa e a obediência passiva de Cristo devem
ser consideradas partes complementares de um todo orgânico. Na discussão deste
assunto é preciso ter em conta a tríplice relação de Cristo com a lei, a saber,
a relação natural, a federal e a penal. O homem revelou-se um fracasso em cada
uma delas. Ele não guardou a lei em seus aspectos natural e federal, e agora
não está em condições de cumprir a pena, para ser restabelecido no favor de Deus.
Embora naturalmente Cristo tenha entrado na primeira relação por Sua
encarnação,vicariamente só entrou na segunda e na terceira relações. E é
particularmente nestas que está onosso interesse neste contexto.
a. A obediência ativa de Cristo. Como
Mediador, Cristo entrou na relação federal em que se achava Adão em seu estado
de integridade, e o fez para merecer a vida eterna para o pecador. Isto
constitui a obediência ativa de Cristo, que consiste em tudo que Cristo fez
para observar a lei em seu aspecto federal, como condição para obter a vida
eterna. A obediência ativa de Cristo foi necessária para tornar aceitável a
Deus a Sua obediência passiva, isto é, para fazer Del objeto do beneplácito de
Deus. É somente por causa da obediência ativa de Cristo que os Seus sofrimentos
recebem de Deus uma avaliação diferente da que recebem os sofrimentos dos
perdidos. Além disso, se Cristo não tivesse prestado obediência ativa, a própria
natureza humana de Cristo teria ficado aquém das justas exigências de Deus, e
Cristo não teria competência para fazer expiação a favor de outros. E,
finalmente, se Cristo tivesse sofrido somente a pena imposta ao homem, os que
partilhassem os frutos da Sua Obra seriam deixados exatamente onde Adão estava
antes da Queda. Cristo merece pelos pecadores mais do que o perdão de pecados.
De acordo com Gl 4.4,5, por intermédio de Cristo eles ficam livres da lei como
condição para a vida, são adotados como filhos de Deus e, como filhos, são
também herdeiros da vida eterna, Gl 4.7. Tudo isso é primariamente condicionado
pela obediência ativa de Cristo. Por intermédio de Cristo a justiça da fé
substitui a da lei, Rm 10.3, 4. Diz-nos Paulo que, pela obra realizada por
Cristo, a justiça ou “o preceito da lei” se cumpre em nós, Rm 8.3, 4, e que
fomos feitos “justiça de Deus”, 2 Co 5.21.
b. A obediência passiva de Cristo. Como
Mediador, Cristo entrou também na relação penal com a lei, a fim de cumprir a
pena em nosso lugar. Sua obediência passiva consistiu em Seu cumprimento da
penalidade do pecado mediante os Seus sofrimentos e morte, cancelando assim o
débito de todo o Seu povo. Os sofrimentos de Cristo, já descritos, não Lhe
sobrevieram acidentalmente, nem como resultado de circunstancias puramente
naturais. Foram lançados judicialmente sobre Ele como o nosso representante e,
portanto, foram sofrimentos realmente penais. O valor redentor desses
sofrimentos resulta dos seguintes fatos: Foram padecidos por uma pesso divina
que, somente em virtude as Sua divindade, podia sofrer a penalidade até o fim e,
assim libertar-se dela. Em vista do valor infinito da pessoa que se encarregou
de pagar o preço e sofrer a maldição, eles satisfizeram essencial e
intensivamente a justiça de Deus. Foram sofrimentos estritamente morais, pois
Cristo os tomou sobre Si voluntariamente e, ao padece-los,era perfeitamente
inocente e santo. A obediência passiva de Cristo sobressai proeminentemente em
passagens como as seguintes: Is 53.6; Rm 4.25; 1 Pe 2.24; 3.18; 1 Jo 2.2,
enquanto que a Sua obediência ativa é ensinada em passagens como Mt 3.15; 5.17,
18; Jo 15.10; Gl 4.4, 5; Hb 10.7-9, em conexão com as passagens que nos ensinam
que Cristo é a nossa justiça, Rm 10.4; 2 Co 5.21; Fp 3.9; e quer ele nos
assegurou a vida eterna, a adoção de filhos, e uma herança eterna, Gl 3.13, 14;
4.4, 5; Ef 1.3-12; 5.25-27. os arminianos estão dispostos a admitir que Cristo,
por Sua obediência passiva, mereceu para nós o perdão de pecados, mas se
recusam a conceder que Ele também mereceu para nós a positiva aceitação da
parte de Deus, a adoção de filhos e a vida eterna.
VI. Propósito e Extensão da Expiação
A. O Propósito da Expiação.
A expiação foi destinada a afetar a
relação de Deus com o pecador, o estado e a condição de Cristo como o Autor
Mediatário da salvação , e o estado e a condição do pecador.
1. SEU EFEITO COM REFERÊNCIA A DEUS.
Deve-se salientar primeiramente que a
expiação não efetuou mudança alguma no
ser interior de Deus, que é imutável. A única mudança que foi produzida foi uma
mudança na relação de Deus com os objetos do Seu amor expiatório.
Ele se reconciliou com aqueles que eram
objetos da Sua ira judicial. Significa que a Sua ira foi desviada pela
cobertura sacrificial do pecado deles. A expiação não deve ser descrita como a causa
motora do amor de Deus, pois já foi uma expressão do Seu amor. Ela é muitas
vezes apresentada como se, na teoria da satisfação, Deus não pudesse amar o
pecador enquanto as Suas justas exigências não fossem satisfeitas.Mas, então,
omite-se o fato de que Cristo já é a dádiva do amor de Deus, Jo 3.16. Ao mesmo
tempo, é mais que certo que a expiação removeu os obstáculos às manifestação do
amor redentor de Deus no perdão dos pecadores e em sua santificação,
satisfazendo a justiça de Deus e as exigências da lei, tanto em seus aspectos federais
como em seus aspectos penais.
2. SEU EFEITO COM RESPEITO A CRISTO. A
expiação assegurou a multiforme recompensa para Cristo como o Mediador. Ele foi
constituído Espírito vivificante, fonte inexaurível de todas as bênçãos da
salvação para os pecadores. Ele recebeu:
a. Tudo quanto dizia respeito à Sua
glorificação, Sua presente glória messiânica inclusive.
Razão pela qual ele orou quando, em Sua
oração sacerdotal, por antecipação, já considerava completa a Sua obra: “E
agora, glorifica-me, ó pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de
ti, antes que houvesse mundo”, Jo 17.5.
b. A plenitude daqueles dons e graças que
Ele confere ao Seu povo. Assim lemos em Sl 68.18: “Subiste às alturas, levaste
cativo o cativeiro; recebeste homens por dádivas, até mesmo rebeldes, para que
Deus habite no meio deles”.* Paulo aplica esta passagem a Cristo em Ef 4.8.
c. O dom do Espírito Santo para a
formação do Seu corpo místico e para a subjetiva
aplicação dos frutos da Sua obra
expiatória. Isso é evidenciado pelas palavras de Pedro no dia de Pentecoste: “Exaltado, pois, à destra de
Deus, tendo recebido do pi a promessa do Espírito Santo,derramou isto que vedes
e ouvis”, At 2.33.
d. Os confins da terra como Sua possessão
e o mundo para o Seu domínio. Esta foi uma das promessas a Ele feitas:
“pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por
tua possessão”, Sl 2.8. Que esta promessa foi cumprida está patente em Hb
2.6-9.
3. SEU EFEITO NO QUE SE REFERE AO
PECADOR.
a. A expiação não somente tornou a
salvação possível para o homem, mas de fato a garantiu. Sobre este ponto os
calvinistas contestam os católicos romanos, os luteranos, os arminianos e todos
quantos ensinam uma expiação universal. Estes afirmam que a expiação de Cristo
apenas tornou a salvação possível, e incerta, para aqueles a quem é oferecida.
Mas o calvinista ensina que a expiação garantiu meritoriamente a aplicação da
obra de redenção àqueles para os quais estava destinada e, assim, tornou certa
e segura a sua salvação.
b. Ela assegurou para aqueles a favor dos
quais foi feita: (1) Adequada posição judicial
mediante a justificação. Isto inclui o
perdão de pecados, a adoção de filhos e o direito a uma herança eterna. (2) a
união mística dos crentes com Cristo por meio da regeneração e da satisfação.
Isto abrange a gradual mortificação do homem velho, e o gradual revestimento do
homem novo, mediante Jesus Cristo. (3) Sua bem-aventurança final, em comunhão
com Deus, mediante Jesus Cristo, na glorificação subjetiva e no gozo da vida
eterna, numa nova e perfeita criação. Tudo isso deixa ver claramente o porquê
da objeção tantas vezes levantada contra a doutrina substitutiva e penal da
expiação, a saber. Essa objeção não tem suportes éticos e não oferece base
alguma para a vida ética dos redimidos. Até se pode dizer que a doutrina
substitutiva e penal da expiação é a única que oferece base segura para uma
vida ética verdadira, uma vida arraigada no coração graças à operação do
Espírito Santo. A justificação leva diretamente à santificação.
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