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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
AS TRÈS PESSOAS DA TRINDADE ANALISADA SEPARADAMENTE
As Três Pessoas Consideradas Separadamente.
1. O PAI, OU A PRIMEIRA PESSOA DA TRINDADE
a. O nome “Pai” em sua aplicação a Deus. Este nome nem
sempre é empregado com relação a Deus com o mesmo sentido na Escritura. (1) Às
vezes se aplica ao Deus Triúno como a origem de todas as coisas criadas, 1 Co
8.6; Ef 3.15; Hb 12.9; Tg 1.17. Conquanto nestes casos o nome se aplique ao
Deus Triúno, refere-se mais particularmente à primeira pessoa, a quem a obra da
criação é mais especialmente atribuída na Escritura. (2) Atribui-se também o
nome ao Deus Triúno para expressar a relação teocrática que Ele mantém com
Israel como o Seu povo no Velho Testamento, Dt 32.6; Is 63.16; 64.8; Jr 3.4; Ml
1.6; 2.10. (3) Mo Novo Testamento o nome é geralmente empregado para designar o
Deus Triúno como Pai, num sentido ético, de todos os Seus filhos espirituais,
Mt 5.45; 6.6-15; Rm 8.16; 1 Jo 3.1. (4) Num sentido inteiramente diverso,
contudo, o nome é aplicado à primeira pessoa da Trindade em Sua relação com a
segunda pessoa, Jô 1.14, 18; 5.17-26; 8.54; 14.12, 13. A primeira pessoa é o
Pai da segunda num sentido metafísico. Esta é a paternidade originária de Deus,
da qual toda paternidade terrena é apenas pálido reflexo.
b. A propriedade
distintiva do Pai. A propriedade pessoal do Pai, falando em termos negativos,
consiste em que Ele não é gerado, e, em termos positivos consiste na geração do
Filho e na espiração do Espírito Santo. É verdade que a espiração é obra do
Filho também, mas neste, essa obra não se combina com a geração. Estritamente
falando, a única obra exclusivamente peculiar ao Pai é a da geração ativa.
c. As opera ad extra atribuídas mais particularmente ao Pai.
Todas as opera ad extra de Deus são do Deus Triúno, mas nalgumas destas obras o
Pai está em primeira plano, como nestas: (1) Planejando a obra de redenção, a
eleição inclusive, da qual o próprio Filho era um objeto, Sl 2.7-9; 40.6-9; Is
53.10; Mt 12.32; Ef 1.3-6. (2) As obras da criação e da providência,
principalmente em seus estágios iniciais, 1 Co 8.6; Ef 2.9. (3) A obra de
representação da Trindade no Conselho da Redenção, como o Ser santo e justo,
cujo direito foi violado, Sl 2.7-9; 40.6-9; Jô 6.37; 17.4-7.
2. O FILHO, OU A SEGUNDA PESSOA DA TRINDADE
a. O nome “Filho” em sua aplicação à segunda pessoa. A segunda
pessoa da Trindade é chamada “Filho” ou “Filho de Deus” em mais de um sentido
do termo. (1) Num sentido metafísico. Deve-se sustentar isto contrariamente aos
socinianos e aos unitários, que rejeitam a idéia de uma Divindade tripessoal,
vêem em Jesus apenas um homem, e consideram o nome “Filho de Deus” a Ele
aplicado, primariamente como um título honorário conferido a Ele. É muito
evidente que Jesus Cristo é apresentado como o Filho de Deus na Escritura,
independentemente de Sua posição e obra como Mediador. (a) Ele é mencionado
como o Filho de Deus do ponto de vista da pré-encarnação, por exemplo em Jó
1.14, 18; Gl 4.4. (b) É chamado o “unigênito” Filho de Deus ou do pai,
expressão que não se aplicaria a Ele, se Ele fosse o Filho de Deus somente num
sentido oficial ou ético, Jo 1.14, 18; 3.16,18; 1 Jo 4.9. Comparar com 2 Sm
7.14; Jó 2.1; Sl 2.7; Lc 3.38; Jo 1.12. (c) Nalgumas passagens o contexto
evidencia muito bem que o nome indica a divindade de cristo, Jô 5.18-25; Hb 1.
(d) Embora Jesus ensine os Seus discípulos a falarem de Deus e a dirigir-se a
Ele como “Pai nosso”, Ele mesmo fala dele chamando-lhe simplesmente “pai” ou
“meu Pai”, e com isso mostra que estava cônscio de uma relação única, singular,
com o Pai, Mt 6.9; 7.21; Jo 20.17. (e) De acordo com mt 11.27, Jesus, como o
Filho de Deus, arroga-se um conhecimento único de Deus, conhecimento que
ninguém mais pode possuir. (f) Os judeus certamente entendiam que
Jesus afirmava que
era o Filho
de Deus num
sentido metafísico; pois consideravam blasfêmia o modo como Ele
falava de Si mesmo como o Filho de Deus, Mt 26.63; Jo 5.18; 10.36. - (2) Num sentido oficial ou messiânico. Nalgumas
passagens este sentido é associado ao sentido mencionado acima. As passagens
subseqüentes aplicam o nome “Filho de Deus” a Cristo como Mediador, Mt 8.29;
26.63 (onde este sentido vem ligado ao outro); 27.40; Jo 1.49; 11.27.
Naturalmente, esta filiação e a messianidade se relacionam com a filiação
originária de Cristo. É somente porque Ele era o Filho de Deus essencial e
eterno, que podia ser chamado Filho de Deus como Messias. Além disso, a
filiação e a messianidade refletem a filiação eterna de Cristo. É do ponto de
vista desta filiação e messianidade que até Deus é chamado Deus do Filho,2 Co
11.31; Ef 1.3, e às vezes é mencionado como Deus em distinção do Senhor, Jo
17.3; 1 Co 8.6; Ef 4.5, 6. (3) Num sentido natalício. Também se dá a Jesus o
nome “Filho de Deus” em vista do fato de que deveu o Seu nascimento à
paternidade de Deus. De acordo com a Sua natureza humana, ele foi gerado pela
operação sobrenatural do Espírito Santo, e nesse sentido é o Filho de Deus. Lc
1.32, 35 o indica claramente, e provavelmente se pode inferir também de Jo
1.13.
b. A subsistência pessoal do Filho. Deve-se defender a
realidade da subsistência pessoal do Filho contra todos os modalistas que, de
um modo ou de outro, negam as distinções pessoais da Divindade. Pode-se
consubstanciar a doutrina da personalidade do Filho como segue: (1) O modo pelo
qual a bíblia fala do pai e do Filho um ao lado do outro implica que um é tão
pessoal como o outro, e também indica a existência de uma relação pessoal entre
ambos. (2) O emprego dos apelativos “unigênito” e “primogênito” implica que a
relação entre o pai e o Filho, conquanto singular, pode ser, não obstante,
retratada aproximadamente como uma relação de geração e nascimento. O
designativo “primogênito” encontra-se em Cl 1.15; Hb 1.6, e acentua o fato da
geração eterna do Filho. Simplesmente significa que Ele já exista antes da
criação dos céus e da terra. (3) O emprego distintivo do termo “Logos” na
Escritura aponta na mesma direção. Este termo é aplicado ao Filho, em primeiro
lugar não para expressar a Sua relação com o mundo (o que é absolutamente
secundário), mas para indicar a Sua profunda relação com o Pai, relação como a
que existe entre uma palavra e o orador que a profere. Diferentemente da
filosofia a Bíblia apresenta o Logos como pessoal e o identifica com o Filho de
Deus, Jo 1.1-14; 1 Jo 1.1-3. (4) A descrição do Filho como a imagem ou mesmo
como a expressa imagem de Deus em 2 Co 4.4; Cl 1.15; Hb 1.3. Deus sobressai
claramente na Escritura como um Ser pessoal. Se o Filho de Deus é a expressa
imagem de Deus, necessariamente é uma pessoa também.
c. A geração eterna do Filho. A propriedade característica
do Filho consiste em que Ele é eternamente gerado do pai (resumidamente
denominada “filiação”) e toma parte com o Pai na espiração do Espírito. A
doutrina da geração do Filho é sugerida pela representação bíblica da primeira
e da secunda pessoas da Trindade como estando na relação do pai e o Filho um
com o outro. Não somente os nomes “Pai” e “Filho” sugerem a geração deste por
aquele, mas também o Filho é repetidamente
chamado “o Unigênito”,
Jo 1.14, 18;
3.16, 18; 1
Jo 4.9. Várias particularidades merecem ênfase em conexão com
a geração do Filho: (1) É um ato necessário de Deus. Orígenes, um dos primeiros
a falar da geração do Filho, considerava-a como um ato dependente da vontade do
Pai e, portanto, livre. Outros, em diversas ocasiões, expressaram a mesma
opinião. Mas Atanásio e outros perceberam claramente que uma geração dependente
da vontade facultativa do Pai tornaria contingente a existência do Filho e
assim O privaria da Sua divindade. Então o Filho não seria igual e homoousios
ao Pai, pois o Pai existe necessariamente e não pode ser entendido como não
existente. A geração do Filho deve ser considerada como um ato necessário e
perfeitamente natural de Deus. Não significa que este ato não esteja
relacionado com a vontade do pai nalgum sentido da palavra. É um ato da vontade
necessária do pai, o que significa simplesmente que a Sua vontade concomitante
agrada-se perfeitamente com ele. (2) É um ato eterno do pai. Este ponto
segue-se naturalmente do anterior. Se a geração do Filho é um ato necessário do
pai, de modo que é impossível entende-lo como não gerando, naturalmente
participa do pai na eternidade.
Não significa, porém,
que seja um
ato que se realizou
completamente no passado distante, mas antes, que é um ato atemporal, o ato de
um eterno presente, um ato que se realiza continuadamente e, todavia, sempre de
maneira completa. Sua eternidade segue-se não somente da eternidade de Deus,
mas também a imutabilidade divina e da verdadeira divindade do Filho. Acresce que
também se pode inferir das passagens bíblicas que ensinam ou a preexistência do
Filho ou a Sua igualdade com o Pai, Mq 5.2; Jo 1.14, 18; 3.16; 5.17, 18, 30,
36; At 13.33; Jo 17.5; Cl 1.16; Hb 1.3. A declaração do Sl 2.7, “Tu és meu
filho, eu hoje te gerei”, geralmente é citada para provar a geração do Filho,
mas, segundo alguns, com mui duvidosa propriedade, Cf. At 13.33; Hb 1.5. Supõem
eles que essas palavras se referem à elevação de Jesus como Rei Messiânico, e
ao reconhecimento dele como Filho de Deus num sentido oficial, estando
provavelmente ligadas à promessa registrada em 2 Sm 7.14, exatamente como se
vêem em Hb 1.5. (3) É geração da subsistência pessoal, e não da essência divina
do Filho. Alguns falam como se o pai gerasse a essência do Filho, mas isto
equivale a dizer que Ele gerou a Sua própria essência, pois a essência do Pai e
do Filho é exatamente a mesma. É melhor dizer que o pai gera a subsistência
pessoal do Filho, mas com isso também Lhe comunica a essência divina em sua
inteireza. Mas, ao fazê-lo, devemos evitar a idéia de que o Pai gerou
primeiramente a segunda pessoa e depois comunicou a essência divina e esta
pessoa, pois isto levaria à conclusão de que o Filho não foi gerado da essência
divina, mas foi criado do nada. Na obra de geração houve comunicação da
essência: foi um ato indivisível. E, em virtude desta comunicação, o Filho
também tem vida em Si mesmo. Isso está de acordo com a declaração de Jesus:
“Porque assim como mo pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter
vida em si mesmo”, Jo 5.26. (4) É geração que deve ser entendida como
espiritual e divina. Em oposição aos arianos, que insistiram em que a geração
do Filho implicava necessariamente separação ou divisão do Ser Divino, os
chamados pais da igreja acentuavam o fato de que não se deve entender esta
geração de maneira física ou que lembre o processo de geração das criaturas,
mas deve ser entendida como espiritual e divina, excluindo toda idéia de
divisão ou mudança. Ela traz distinctio e distributio, não porém diversitas e
divisio ao Ser Divino (Bavinck). Sua mais notável analogia acha-se no
pensamento e na alocução do homem, e a própria Bíblia parece indicar isto,
quando fala do Filho como o Logos. (5) Pode-se dar a seguinte definição da
geração do Filho: É o ato eterno e necessário da primeira pessoa da Trindade,
pelo qual Ele, dentro do Ser Divino, é a base de uma segunda subsistência
pessoal, semelhante à Sua própria, e dá a esta segunda pessoa posse da essência
divina completa, sem nenhuma divisão, alienação ou mudança.
d. A divindade do Filho. A divindade do Filho foi negada na
Igreja Primitiva pelos ebionitas e pelos “alogi” (alogoa), e também pelos
monarquistas e pelos arianos.Nos dias da Reforma os socinianos seguiram o
exemplo daqueles e falavam de Jesus como mero homem. A mesma posição foi
tomada por Schleiermacher e
Ritschl, por um
batalhão de eruditos
liberais, particularmente da Alemanha, pelos unitários e pelos
modernistas e humanistas dos dias atuais. Esta negação só é possível para os
que desconsideram os ensinos da Escritura, pois a Bíblia contém abundantes
provas da divindade de Cristo.1 Vemos que a Escritura (1) asseverava explicitamente a divindade do
Filho. Em passagens como Jo 1.1; 20,28; Rm 9.5; Fp 2.6; Tt 2.13; 1 Jo 5.20; (2)
aplica a Ele nomes divinos, Is 9.6; 40.3; Jr 23.5, 6; Jl 2.32 (comp. At 2.21);
1 Tm 3.16: (3) atribui a Ele perfeições divinas,tais como existência eterna, Is
9.6; Jo 1.1, 2; Ap 1.8; 22.13, onipresença, Mt 18.20; 28.20; Jo 3.13,
onisciência, Jo 2.24, 25; 21.17; Ap 2.23, onipotência, Is 9.6; Fp 3.21; Ap 1.8,
imutabilidade, Hb 1.10-12; 13.8, e em geral todos os atributos pertencentes ao
pai, Cl 2.9: (4) fala dele como realizando obras divinas, como a criação, Jo 1.3,
10; Cl 1.16; Hb 1.2,10, a providência, Lc 10.22; Jo 3.35; 17.2; Ef 1.22; Cl
1.17; Hb 1.3, o perdão de pecados, Mt 9.2-7; Mc 2. 7-10; Cl 3.13, a
ressurreição e o juízo, Mt 25.31, 32; Jo 5.19-29; At 10.42; 17.31; Fp 3.21; 2
Tm 4.1, a final dissolução e renovação de todas as coisas Hb 1.10-12; Fp 3.21;
Apo 21.5, e (5) Lhe outorga honra divina, Jo 5.22, 23; 14.1; 1 Co 15.19; 2 Co
13.13; Hb 1.6; Mt 28.19.
e. O lugar do Filho na Trindade econômica. Deve-se notar que
a ordem da existência na Trindade essencial ou ontológica reflete-se na
Trindade econômica. O Filho ocupa o segundo lugar nas opera ad extra. Se todas
as coisas provêm do Pai, provêm mediante o Filho, 1 Co 8.6. Se o Pai é
apresentado como a causa absoluta de todas as coisas, o Filho sobressai claramente
como a causa mediadora. Isto se aplica à esfera natural, onde todas as coisas
são criadas e mantidas por meio do Filho, Jo 1.3, 10; Hb 1.2, 3. Ele é a luz
que ilumina todo homem que vem ao mundo, Jo 1.9. Aplica-se também à obra de
redenção. No Conselho da Redenção Ele toma sobre Si a tarefa de ser a Segurança
do Seu povo, e executar o plano de redenção feito pelo Pai, Sl 40.7, 8.
Realiza-o mais particularmente em Sua encarnação, em Seus sofrimentos e em Sua
morte, Ef 1.3-14. Em conexão com a Sua função os atributos de sabedoria e
poder, 1 Co 1.24; Hb 1.3, e de misericórdia e graça, são atribuídos
especialmente a Ele, 2 Co 13.13; Ef 5.2, 25.
3. O ESPÍRITO SANTO, OU A TERCEIRA PESSOA DA TRINDADE.
a. O nome aplicado à terceira pessoa da Trindade. Apesar de
se nos dizer em Jo 4.24 que Deus é Espírito*, o nome se aplica mais
particularmente à terceira pessoa da Trindade. O termo hebraico com o qual Ele
é designado é Ruach, e o grego, é pneuma, ambos os quais, como o vocábulo
latino spiritus, derivam de raízes que significam “soprar”, “respirar”. Daí,
também podem ser traduzidos por “sopro” ou “fôlego”, Gn 2.7; 6,17; Ez 37.5, 6,
ou “vento”, Gn 8.1: 1 Rs 19.11: Jo 1
3.8. O Velho Testamento geralmente emprega o termo
“espírito” sem qualificativos, ou fala do “Espírito de Deus” ou “Espírito do
Senhor”, e utiliza a expressão “Espírito Santo” somente em Sl 51.11; Is 63.10,
11, enquanto que o Novo Testamento esta veio a ser uma designação da terceira
pessoal da Trindade. É um fato notável que, enquanto o Velho Testamento
repetidamente chama a Deus “o Santo de Israel”, Sl 71.22; 89.18; Is 10.20;
41.3; 48.17, o Novo Testamento raramente se aplica o adjetivo “santo” a Deus em
geral, mas utiliza freqüentemente para caracterizar o Espírito. Com toda a
probabilidade isto se deve ao fato de que foi especialmente no Espírito e Sua
obra santificadora que Deus se revelou como Santo. É o Espírito Santo que faz
Sua habitação nos corações dos crentes, que os separa para Deus, e que os
purifica do pecado.
b. A personalidade do Espírito Santo. As expressões
“Espírito de Deus” e “Espírito Santo” não sugerem personalidade com a clareza
que o temo “Filho” sugere. Além disso, a pessoa do Espírito Santo não apareceu
de forma pessoal claramente discernível entre os homens, como aconteceu com a
pessoa do Filho de Deus. Como resultado, a personalidade do Espírito Santo
muitas vezes foi posta em questão e, portanto, merece atenção especial. Muitas
vezes se diz hoje em dia que as passagens que parecem implicar a personalidade
do Espírito Santo simplesmente contêm
personificações. Mas as personificações certamente são raras nos
escritos em prosa do Novo Testamento, e podem ser reconhecidas com facilidade.
Ademais, essa explicação evidentemente destrói o sentido de algum, as dessas
passagens como, por exemplo, Jo 14.26; 16.7-11; Rm 8.26. A prova bíblica da
personalidade do Espírito Santo é mais que suficiente: (1) Designativos
próprios de personalidade Lhe são dados.
Embora pneuma seja neutro, o
pronome masculino ekeinos é utilizado
como referência ao Espírito Santo em Jo 16.14; e em Ef 1.14 algumas das
melhores autoridades têm o pronome relativo masculino hos. Além disso, é-lhe
aplicado o nome Parakletos, Jo 14.26; 15.26; 16.7, termo que não pode ser
traduzido por “conforto”, “consolação”, nem pode ser considerado como nome de
alguma influência abstrata. Um fato que indica que se trata de uma pessoa é que
o Espírito Santo, como Consolador, é colocado em justaposição com Cristo como o
Consolador que estava para partir, a quem o mesmo termo é aplicado em 1 Jo 2.1.
É verdade que este termo é seguido pelos neutros Ho e auto em Jo 14.16-18, mas
isto se deve ao fato de que intervém o vocábulo pneuma. (2) São-lhe atribuídas
características de pessoa, como inteligência, Jo 14.26; 15.26; Rm 8.16, vontade,
At 16.7; 1 Co 12.11; e sentimentos, Is 63.10; Ef 4.30. Demais, Ele realiza atos
próprios de personalidade. Sonda, fala, testifica, ordena, revela, luta, cria,
faz intercessão, vivifica os mortos, etc, Gn 1.2; 6.3; Lc 12.12; Jo 14.26;
15.26; 16.8; At 8.29; 13.2; Rm 8.11; 1 Co 2.10, 11. O realizador destas coisas
não pode ser um simples poder ou influência, mas tem que ser uma pessoa. (3) É
apresentado como mantendo tais relações com outras pessoas, que implicam Sua
própria personalidade. Ele é colocado na justaposição com os apóstolos em At
15.28, com Cristo em Jo 16.14, e com o Pai e o Filho em Mt 28.19; 2 Co 13.13; 1
Pe 1.1, 2; Jd 20,21. Uma boa exegese exige que nestas passagens o Espírito
Santo seja considerado uma pessoa. (4) Também há passagens em que se distingue
entre o Espírito e o Seu Poder, Lc 1.35; 4.14; At 10.38; Rm 15.13; 1 Co 2.4.
Tais passagens seriam tautalógicas, sem sentido, e até absurdas, se fossem
interpretadas com base no princípio de que o Espírito é pura e simplesmente um
poder impessoal. Pode-se ver isto substituindo o nome “Espírito Santo” pela
palavra “poder”ou “influência”.
c. A relação do Espírito Santo com as outras pessoas da
Trindade. As primeiras controvérsias trinitárias levaram à conclusão de que o
Espírito Santo, como o Filho, é da mesma essência do pai e, portanto, é
consubstancial com Ele. E a longa discussão acerca da questão, se o Espírito
Santo procedeu somente do pai ou também do Filho, foi firmada finalmente pelo
Sínodo de Toledo em 589*, pelo acréscimo da palavra “Filioque” (e do Filho) à
versão latina do Credo de Constantinopla: “Credimos in Spiritum Sanctum qui a
Patre Filioque procedidit” (“Cremos no Espírito Santo, que procede do Pai e do
Filho”). Esta processão do Espírito Santo, resumidamente chamada espiração, é
Sua propriedade pessoal. Muito do que foi dito a respeito da geração do Filho
também se aplica à espiração do Espírito Santo, e não é necessário repetir.
Notem-se,contudo, os seguintes pontos de distinção entre ambas: (1) A geração é
obra exclusiva do Pai; a espiração é obra do pai e do Filho. (2) Pela geração o
Filho é habilitado a tomar parte na obra de espiração, mas o Espírito Santo não
adquire esse poder. (3) Segundo a ordem lógica, a geração precede à espiração.
Devemos lembrar, porém, que isso tudo não implica nenhuma subordinação
essencial do Espírito Santo ao Filho. Na espiração, como na geração, há uma
comunicação da substância total da essência divina, de modo que o Espírito
Santo está em igualdade com o Pai e o Filho. A doutrina da processão do
Espírito Santo do Pai e do Filho baseia-se em Jo 15.26, e no fato de que o
Espírito é chamado também o Espírito de Cristo e do Filho, Rm 8.9; Gl 4.6, e é
enviado por Cristo ao mundo. Pode-se definir a espiração como o terno e necessário ato da primeira e da
segunda pessoa da Trindade pelo qual elas, dentro do Ser Divino, vêm a ser a
base da subsistência pessoal do Espírito Santo, e propiciam à terceira pessoa a
posse da substância total da essência divina, sem nenhuma divisão, alienação ou
mudança. O Espírito Santo está na relação mais estreita possível com as outras
pessoas. Em virtude da Sua processão do Pai e do Filho, o Espírito é descrito
como estando na relação mais estreita possível com as outras duas pessoas. De 1
Co 2.10, 11 podemos inferir, não que se deve identificar o Espírito com a
autoconsciência de Deus, mas, sim, que Ele é tão estreitamente relacionado com
Deus o pai como a alma humana o é com o homem. Em 2 Co 3.17 lemos: “Ora,o
Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade”. Aí o
Senhor (Cristo) é identificado com o Espírito, não quanto à personalidade, mas
quanto à maneira de agir. Na mesma passagem o Espírito é chamado “o Espírito do
Senhor”. A obra para a qual o Espírito * A expressão já tinha sido usada. Ver
Documentos da Igreja, de Bettenson, Aste. Nota do tradutor.Santo foi enviado à
igreja no dia de Pentecostes estava baseada em Sua unidade com o Pai e com o
Filho. Ele veio como o Paráclito para tomar o lugar de Cristo e realizar a Sua
obra na terra,isto é, para ensinar, proclamar, testificar ou dar testemunho
etc., como o Filho fizera. Pois bem, no caso do Filho, esta obra de revelação
estava firmada em Sua unidade com o Pai. Justamente assim a obra do Espírito
baseia-se em Sua unidade com o Pai e com o Filho, Jo 16.14, 15. Notem-se as
palavras de Jesus nesta passagem: “Ele me glorificará porque há de receber do
que é meu, e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso é que
vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”.
d. A divindade do Espírito Santo. Pode-se estabelecer a
veracidade da divindade do Espírito Santo com base na Escritura seguindo uma
linha de comprovação muito semelhante à que foi empregada com relação ao Filho:
(1) São-lhe dados nomes divinos, Êx 17.7 (comp. Hb 3.7-9); At 5.3, 4; 1 Co
3.16; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21. (2) São-lhe
atribuídas perfeições divinas, como onipresença, Sl 139.7-10, onisciência, Is
40.13, 14 (comp. Rm 11.34); 1 Co 2.10, 11, onipotência, 1 Co 12.11; Rm 15.19, e
eternidade, Hb 9.14 (?). (3) Ele realiza obras divinas, como a criação, Gn 1.2;
Jó 26.13; 33.4, renovação providencial, Sl 104.30, regeneração, Jo 3.5, 6; Tt
3.5, e a ressurreição dos mortos, Rm 8.11. (4) É-lhe prestada honra divina, Mt
28.19; Rm 9.1; 2 Co 13.13.
e. A obra do
espírito Santo na
economia divina. Certas obras
são atribuídas mais particularmente ao Espírito Santo, não
somente na economia geral de Deus, mas também na economia especial da redenção.
Em geral se pode dizer que a tarefa especial do Espírito Santo consiste em
levar as coisas à completação agindo imediatamente sobre a criatura e nela.
Justamente como Ele é a pessoa que completa a Trindade, assim a Sua obra é a
completação do contato de Deus com as Suas criaturas e a consumação da obra de
Deus em todas as esferas.Ela se segue à obra do Filho, como a obra do Filho
segue-se à do Pai. É importante ter isto em mente, pois, se a obra do Espírito
Santo for divorciada do objetivo da obra do Filho, um falso misticismo
fatalmente surgirá como resultado. A obra do Espírito inclui as seguintes ações
na esfera natural: (1) A geração da vida. Como o ser provém do Pai, e o
pensamento vem mediante o Filho, assim a vida é mediada pelo Espírito, Gn 1.3;
Jó 26.13; Sl 33.6 (?); Sl 104.30. Com relação a isso, Ele dá o toque final à
obra da criação. (2) A inspiração geral e a qualificação dos homens.O Espírito
Santo inspira e qualifica os homens para as suas tarefas oficiais, para
trabalho na ciência e nas artes, etc., Ex 28.3; 31.2, 3, 6; 35.35: 1 Sm 11.6;
16.13, 14. De maior importância ainda é a obra do Espírito Santo na esfera da
redenção. Aqui podem ser mencionados os seguintes pontos: (1) O preparo e a
qualificação de Cristo para a Sua obra mediadora. Ele preparou para Cristo um
corpo e, assim, capacitou-o a tornar-se um sacrifício pelo pecado, Lc 1.35; Hb
10.5-7. Nas palavras “corpo me formaste”, o escritor de Hebreus segue a
Septuaginta. O sentido é: Pela preparação de um corpo santo, me capacitaste a
ser um sacrifício pelo pecado. Em seu batismo Cristo foi ungido com o Espírito
Santo Lc 3.22, e recebeu do Espírito Santo dons habilitadores sem medida, Jo
3.24 (2) A inspiração da Escritura. O Espírito Santo inspirou a Escritura e
deste modo trouxe aos homens a revelação especial de Deus, 1 Co2.13; 2 Pe 1.21,
o conhecimento da obra de redenção que há em Cristo Jesus. (3) A formação e o
aumento da igreja. O Espírito Santo forma e dá crescimento à igreja, o corpo
místico de Jesus Cristo, pela regeneração e pela santificação, e habita nela
como o princípio da nova vida, Ef 1.22,23; 2.22; 1 Co 3.16; 12.4s. (4) Ensino e
direção da igreja. O Espírito Santo dá testemunho de Cristo e guia a igreja em
toda verdade. Em fazendo isto, Ele manifesta a glória de Deus e de Cristo,
aumenta o nosso conhecimento do Salvador, livra de erro a igreja e a prepara
para o seu destino eterno, Jo 14.26; 15.26; 16.13, 14; At 5.32; Hb 10.15; 1 Jo
2.27.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Pecado Imperdoável/Punições diferenciadas pelo pecador que cometeu
Pecado Imperdoável/Punições diferenciadas pelo pecador que cometeu
c. Depravação total. Em vista do seu caráter impregnante,a
corrupção herdada toma o nome de depravação total. Muitas vezes esta frase é
mal compreendida, e, portanto, requer cuidadosa discriminação. Negativamente,
implica: (1) que todo homem é tão completamente depravado e se depravando cada
vez mais como poderia chegar a ser; (2) que o pecador tem n conhecimento inato
de Deus, tem uma consciência que
discerne entre o bem e o mal,mas agarra o mal; (3) que o homem pecador
raramente admira o caráter e os atos virtuosos dos outros, ou que é incapaz de
afetos e atos desinteressados em suas relações com os seus semelhantes; nem (4)
que todos os homens não regenerados, em virtude da sua pecaminosidade inerente,
se entregarão a todas as formas de pecado: muitas vezes acontece que uma forma
de pecado exclui outra. Positivamente, a expressão “depravação total” indica:
(1) que a corrupção inerente abrange todas as partes da natureza do homem,
todas as faculdades e poderes da alma e do corpo; e (2) que absolutamente não
há no pecador bem espiritual algum, isto é, bem com relação a Deus, mas somente
perversão. Esta depravação total é ensinada claramente na Escritura, Jô 5.42;
Rm 7.18, 23; 8.7; Ef 4.18; 2 Tm 3.2-4; Tg 1.15; Hb 3.12.
d. Incapacidade
total. Com respeito ao seu efeito sobre os pecadores espirituais do homem,
a corrupção original herdada toma o nome de incapacidade total. Aqui, de novo,
é necessário fazer adequada distinção. Na atribuição de incapacidade total à
natureza do homem, queremos dizer que
lhe é impossível fazer o bem em todo e qualquer sentido da palavra,com a
motivação correta,desinteressado. Enfim a raça humana é incapaz de realizar:
(1) o bem natural; (2) o bem civil ou a justiça civil; e (3) exatamente, o bem
religioso. Admite-se que o mesmo o não regenerado possui alguma virtude, a qual
se revela nas relações da vida social, em muitos atos e sentimentos que merecem
a sincera aprovação e gratidão dos seus semelhantes, e que ate encontram a
aprovação de Deus, até certo ponto. Ao mesmo tempo, afirma-se que esses mesmo
atos e sentimentos, quando considerados em relação a Deus, são radicalmente
defeituosos. Seu defeito fatal é que não são motivados pelo amor a Deus, nem
pela consideração de que a vontade de Deus os exige. Quando falamos da
corrupção do homem em termos de incapacidade total,queremos dizer duas coisas:
(1) que o pecador não regenerado não pode praticar nenhum ato, por
insignificante que seja, que fundamentalmente obtenha a aprovação de Deus e
corresponda às exigências da santa lei de Deus; e (2) que ele não pode mudar a
sua preferência fundamental pelo pecado e por isso mesmo, trocando-a pelo amor
a Deus; não pode sequer fazer algo que se aproxime de tal mudança. Numa
palavra, ele é incapaz de fazer qualquer bem espiritual. Há abundante suporte
bíblico para esta doutrina: Jô 1.13; 3.5; 6.44; 8.34; 15.4, 5; Rm 7.18, 24;
8.7, 8; 1 Co 2.14; 2 Co 3.5; Ef 2.1, 8-10; Hb 11.6. 3.
O PECADO ORIGINAL
E A LIBERDADE HUMANA.
No contexto da doutrina da
incapacidade total do homem, naturalmente surge a questão se, então, o pecado
também envolve a perda da liberdade, ou daquilo a que geralmente chama liberum arbitrium – livre arbítrio, vontade
livre. Esta questão deve ser respondida com discriminação pois, colocada desta
maneira geral, pode ser respondida negativa e positivamente. Em certo sentido,
o homem perdeu a sua liberdade; noutro sentido, não a perdeu. Há uma certa
liberdade que é possessão inalienável de um agente livre, a saber, a liberdade
de escolher o que lhe agrada, em pleno acordo com as disposições e tendências
predominantes da sua alma (contaminada pelo pecado). O homem não perdeu nenhum
das faculdades constitucionais necessárias para constituí-lo um agente moral
responsável. Ele ainda possui
razão, consciência e
a liberdade de
escolha. Ele tem
capacidade para adquirir conhecimento e para sentir e
reconhecer distinções e obrigações morais; e os seus afetos, tendências e ações
são espontâneos, de sorte que ele escolhe e recusa conforme ache que o objeto
de exame lhe sirva ou não. Além disso, ele tem a capacidade de apreciar e de
fazer muitas coisas que são boas e amáveis, benévolas e justas, nas relações
que ele mantém com os seus semelhantes. Mas o homem perdeu a sua liberdade
material, isto é, o poder racional de determinar o procedimento, rumo ao bem
supremo, que esteja em harmonia com a constituição moral original da sua
natureza. O homem tem, por sua natureza, uma irresistível inclinação para o
mal. Ele não é capaz de compreender e de amar a excelência espiritual, de
procurar e realizar coisas espirituais, as coisas de Deus, que pertencem à
salvação. O pecador é escravo do pecado e não tem a menor possibilidade de
tomar a direção oposta.
B. O Pecado
Fatual. Deve-se dizer, porém, que esta doutrina fala do pecado
igualmente no singular e no plural, isto é, ela reconhece a solidariedade no
pecado, não reconhecida por alguns dos outros. A teologia reformada sempre
reconheceu devidamente o pecado original e sua relação com os pecados atuais.
1. RELAÇÃO ENTRE O PECADO ORIGINAL E O PECADO FATUAL. Aquele
originou-se num ato livre de Adão como o representante da raça humana, numa
transgressão da lei de Deus e numa corrupção da natureza humana, tornando-se
sujeito à punição de Deus. Aos olhos de Deus,o pecado de Adão foi o pecado de
todos os seus descendentes, de modo que eles nascem como pecadores, isto é, num
estado de culpa e numa condição corrupta. O pecado original tanto é um estado
como uma qualidade inerente à corrupção do homem. Todo homem é culpado em Adão
e,conseqüentemente, nasce com uma natureza depravada e corrupta. E esta
corrupção interna é a fonte poluída de todos os pecados atuais. Quando falamos
de pecado fatual, ou peccatum
actuale, empregamos a palavra “fatual”
ou “actuale” num sentido compreensivo. A expressão“pecados fatuais” não indica
apenas as ações externas praticadas por meio do corpo, mas também todos os
pensamentos e volições conscientes que decorrem do pecado original. São os
pecados individuais expressos em atos, diversamente da natureza e inclinação
herdada. O pecado original é somente um; o pecado fatual é múltiplo. Os pecados
fatuais podem ser interiores, como no caso de uma dúvida consciente e
particular, ou de um mau desígnio sediado na mente, ou de uma cobiça consciente
e particular do coração; mas também podem ser exteriores, como a fraude, o
furto, o adultério, o assassínio etc. Enquanto que a existência do pecado
original tem-se defrontado com a sua negação amplamente generalizada, a
presença do pecado fatual na vida do homem geralmente é admitida. Contudo, isso
não quer dizer que as pessoas sempre tiveram consciência igualmente profunda de
pecado. Hoje em dia ouvimos falar muito da “perda do sentimento de pecado”,
embora os modernistas se apressem a garantir-nos que, enquanto perdemos o senso
ou sentimento de pecado, adquirimos os senso ou sentimento dos pecados; no
plural, isto é, de pecados fatuais definidos. Mas n!ao há duvida de que, numa
alarmante extensão, as pessoas perderam o senso da hediondez do pecado,
cometido contra um Deus santo, e mormente o consideram mera infração dos
direitos do próximo. Deixam de ver que o pecado é um poder fatal em suas vidas,
poder que a cada passo incita os seus espíritos rebeldes, torna-os
culpados diante de
Deus e os
coloca debaixo de
uma sentença de condenação. Um dos méritos da Teologia da
Crise é que ela chama de novo a atenção para a gravidade do pecado como revolta
contra Deus, como uma revolucionária tentativa de ser como Deus.
2. CLASSIFICAÇÃO DOS PECADOS FATUAIS. É impossível dar uma
classificação uns e compreensiva dos pecados fatuais. Eles variam em grau e em
espécie, e podem ser diferenciados segundo mais de um ponto de vista. Os
católicos romanos fazem a conhecida distinção entre pecados veniais e pecados
mortais, mas admitem que é extremamente difícil e perigoso decidir se um pecado
é mortal ou venial. Eles foram levados a essa distinção pela afirmação de Paulo
em Gl 5.21, de que “não herdarão o reino de Deus os que tais cousas (enumeradas
pelo apóstolo) praticam”. A pessoa comete um pecado mortal quando viola
voluntariamente a lei de Deus em matéria que ela acredita ou sabe que é
importante. Isso torna o pecador passível de castigo eterno. E a pessoa comete
pecado venial quando transgride a lei de Deus em matéria de importância não
grave, ou quando a transgressão não é inteiramente voluntária. Tal pecado é
perdoado com maior facilidade, e até mesmo sem confissão. O perdão pelos
pecados mortais só pode ser obtido pelo sacramento da penitência. A distinção
não é bíblica, pois, de acordo com a Escritura, todo pecado é essencialmente
anomia (falta de retidão; falta de obediência à lei), e merece punição eterna.
Alem disso, tem efeito deletério na vida pratica, desde que gera um sentimento
de incerteza, às vezes um sentimento de medo mórbido, por um lado, ou de
negligencia insegura, por outro. A Bíblia não distingue diferentes tipos de
pecados, especialmente com relação aos diferentes graus de culpa ligada a eles.
O Velho Testamento faz uma importante distinção entre pecados cometidos
atrevidamente (“à mão levantada”*), e pecados cometidos sem premeditação, isto
é, como resultado de ignorância, fraqueza ou erro, Nm 15.29-31. Os primeiros
não podiam ser expiados por sacrifícios e eram punidos com grande severidade,
enquanto que os últimos podiam ser expiados sacrificialmente e eram punidos com
muito maior brandura. O principio fundamental encarnado nessa distinção ainda é
aplicável. Os pecados cometidos de propósito, com plena consciência do mal
envolvido, e com deliberação, são maiores e mais condenáveis do que os pecados
resultantes de ignorância, de uma concepção errônea das coisas, ou da fraqueza
de caráter. Não obstante, estes também são pecados reais e tornam a pessoa
culpada aos olhos de Deus, Gl 6.1; Ef 4.18; 1 Tm 1.13; 5.24. O Novo Testamento
nos ensina com maior clareza que o grau do pecado é em grande medida
determinado pelo grau de luz que o pecador possua. Os pagãos são deveras
culpados, mas os que têm a revelação de Deus e gozam os privilégios do
ministério do Evangelho são muito mais culpados. Mt 10.15; Lc 12.47, 48; 23.34;
Jo 19.11; At 17.30; Rm 1.32; 2.12; 1 Tm 1.13, 15, 16.
3. O PECADO IMPERDOÁVEL. Diversas passagens da Escritura
falam de um pecado que não pode ser perdoado, após o qual é impossível a
mudança do coração e pelo qual não é necessário orar. É geralmente conhecido
como pecado ou blasfêmia contra o Espírito Santo. O Salvador fala
explicitamente dele em Mt 12.31, 32 e passagens paralelas; e em geral se pensa
que Hb 6.4-6; 10.26, 27 e 1 Jo 5.16 também se referem a esse pecado.
a. Opiniões sem
fundamento, a respeito desse pecado. Tem havido grande variedade de opinião
sobre a natureza do pecado imperdoável. (1) Jerônimo e Crisóstomo
consideravam-no um pecado que só podia ser cometido durante a estada de Cristo
na terra, e sustentavam que ele foi cometido pelos que estavam convencidos em
seus corações de que Cristo realizava os Seus milagres pelo poder do Espírito
Santo, mas, a despeito da sua convicção, recusaram reconhecer esses milagres
como tais e os atribuíram à operação de Satanás. Contudo, esta limitação é
inteiramente destituída de fundamento, como as passagens de Hebreus e 1 João
parecem provar. (2) Agostinho, os dogmáticos da Igreja Luterana, de linha de
Melanchton, e uns poucos teólogos escoceses (Guthrie, Chalmers) entendiam que o
pecado imperdoável consiste de impoenitentia finalis, isto é, impenitência
obstinada até o fim. Um conceito relacionado com esse é o expresso por alguns
nos dias atuais, de que consiste de incredulidade persistente, uma recusa até o
fim a aceitar Jesus Cristo pela fé. Mas, supondo-se isso, seguir-se-ia que
todos os que morreram num estado de impenitência e descrença cometeram esse
pecado, enquanto que, segundo a Escritura, ele tem que ser uma coisa de
natureza muito especifica. (3) Em relação com a sua negação da perseverança dos
santos, os teólogos luteranos mais recentes ensinavam que somente as pessoas
regeneradas poderiam cometer esse pecado, e procuravam apoio para essa idéia em
Hb 6.4-6. Mas esta posição é antibíblica, e os Cânones de Dort rejeitam, entre
outros, também o erro dos que ensinam que os regenerados podem cometer pecado
contra o Espírito Santo.
b. A concepção reformada (calvinista) desse pecado. O titulo
“pecado contra o Espírito Santo” é demasiado geral, pois também há pecados
contra o Espírito Santo que são perdoáveis, Ef. 4.30. A Bíblia fala mais
especialmente de “falar contra o Espírito Santo”, Mt 12.32; Mc 3.29; Lc
12.10.Evidentemente, é um pecado cometido durante a presente vida, pecado que
torna impossíveis a conversão e o perdão. O pecado consiste na rejeição e
calúnia consciente, maldosa e voluntária,e isso contra as evidências e
respectiva convicção do testemunho do Espírito Santo a respeito da graça de
Deus em Cristo, atribuindo-o, por ódio ou inimizade, ao príncipe das trevas.
Isto pressupõe, objetivamente, uma revelação da graça de Deus em Cristo, numa
poderosa operação do Espírito Santo; e, subjetivamente, uma iluminação e
convicção intelectual tão forte e poderosa que impossibilita uma franca negação
da verdade. E, depois, o pecado mesmo consiste, não em duvidar da verdade, nem
numa simples negação dela, mas sim numa contradição dela que vai contra a
convicção da mente, a iluminação da consciência, e até mesmo contra o veredicto
do coração. Ao cometer esse pecado, o homem atribui voluntária, maldosa e
intencionalmente o que se reconhece claramente como obra de Deus à influencia e
operação de Satanás. Não é nada menos que uma difamação do Espírito Santo, uma
audaciosa declaração de que o Espírito Santo é o espírito do abismo, que a
verdade é mentira e que Cristo é Satanás. Não é tanto um pecado contra a pessoa
do Espírito Santo, como contra a Sua obra oficial que consiste em revelar,
tanto objetiva como subjetivamente, a graça e a gloria de Deus em Cristo. A
raiz desse pecado é o consciente e deliberado ódio a Deus e a tudo quanto se
reconhece como divino. É imperdoável, não porque a sua culpa transcende os
méritos de Cristo, ou porque o pecador esteja fora do alcance do poder
renovador do Espírito Santo, mas, sim porque há também no mundo de pecado
certas leis e ordenanças estabelecidas por Deus e por Ele mantidas. E, no caso
desse pecado particular, a lei é que ele exclui toda a possibilidade de
arrependimento, cauteriza a consciência,endurece o pecador e, assim, torna
imperdoável o pecado. Daí, nos que cometeram esse pecado podemos esperar ver um
pronunciado ódio a Deus, uma atitude desafiadora para com Ele e para com tudo
quanto é divino, um prazer em ridicularizar e difamar aquilo que é santo, e um
desinteresse absoluto quanto ao bem-estar da alma e à vida futura. Em vista do
fato de que esse pecado não é seguido pelo arrependimento, podemos estar
razoavelmente seguros de que os que receiam havê-lo cometido e se preocupam com
isso, e desejam as orações doutras pessoas por eles, não o cometeram.
c. Observações sobre as passagens das epístolas que falam disto.
Exceto nos evangelhos, esse pecado não é mencionado nominalmente na Bíblia.
Assim, surge a questão, se as passagens de Hb 6.4-6; 10.26, 27, 29 e 1 Jo 5.16
também se referem a ele. Pois bem, é mais que evidente que elas falam de um
pecado imperdoável; e porque Jesus diz em Mt 12.31, “por isso vos declaro: Todo
pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o
Espírito Santo não será perdoada”, indicando com isso que só existe um pecado
imperdoável, é simplesmente razoável pensar que essas passagens se referem ao
mesmo pecado. Deve-se
notar, porém, que Hebreus 6 fala de uma forma específica
desse pecado, forma que só poderia ocorrer na era apostólica, quando o Espírito
se revelava com dons e poderes extraordinários. O fato de que nem sempre se
teve isto em mente, muitas vezes levou à errônea opinião de que esta passagem,
com as suas expressões desusadamente fortes, refere-se a pessoas que de fato
foram regeneradas pelo Espírito de Deus. Mas, embora Hb 6.4-6 fale de
experiências que transcendem as da fé temporal e comum, não atestam
necessariamente a presença da graça regeneradora no coração
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Final de semana de Trabalho evangelístico
Mc Marcio e equipe!
DJ
Os presentes dentro da Quadra
MC Marcio e Dançarinos em ação
Pastor Camargo,MC Márcio e equipe
Presbítero Carlos e Mc Márcio e equipe
Irmão Volnei e Esposa Lucia e MC Márcio e Equipe
Dançarino
MC Márcio e Pastor Camargo
MC Márcio & Diaconisa Tamires
DJ e a juventude presente
As Guerreiras na cozinha Evangelista Fabiana e Missionária Elen
Os Hamburguês
Missionária Elen
O filho do MC: Dançarino
Os passinhos do MC Márcio
domingo, 24 de fevereiro de 2013
sábado, 23 de fevereiro de 2013
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