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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Decreto - A Criação 4 -escrito


4. A CRIAÇÃO COMO UM ATO PELO QUAL ALGO É PRODUZIDO DO NADA.
Termos bíblicos para “criar”. Na narrativa da criação, como já foi indicado, são empregados três verbos são utilizados alternadamente na Escritura, Gn 1.26,27; 2.7. A primeira palavra é a mais importante. Seu sentido originário é partir, cortar, dividir; mas, em acréscimo, significa também formar, criar e, num sentido de derivação mais distante, produzir,gerar e regenerar. A palavra mesma não transmite a idéia de produzir do nada alguma coisa, pois é usada até com referência a obras da providência, Is 45.7; Jr 31.22; Am 4.13.
As palavras do Novo Testamento são Mc 13.19, Mt 19.4: ;Hb 1.10, Rm 9.22, Hb 3.4, e Rm 9.20.
Base Bíblica da doutrina da criação do nada. Gn 1.1 registra o início da obra da criação, e certamente não apresenta Deus produzindo o mundo com material preexistente. Foi criação do nada, criação no sentido estrito da palavra e, daí, a única parte da obra registrada em Gn 1 a que Calvino aplica o termo. Mesmo na parte restante do capítulo, porém, Deus é descrito produzindo todas as coisas pela palavra do Seu poder. A mesma verdade é ensinada em passagens como Sl 33.6, 9 e 148.5. A passagem mais forte é Hb 11.3: “Pela fé entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”, ou, na versão utilizada pelo autor, “... de maneira que, o que se vê não foi feito das cousas que aparecem”. A criação é descrita aqui como um fato que apreendemos somente pela fé. Pela fé entendemos (percebemos, não compreendemos) que o mundo foi estruturado ou formado pela palavra de Deus, a palavra de poder de Deus, de modo que as coisas que se vêem, as coisas visíveis deste mundo, não foram feitas das coisas que aparecem, que são visíveis. De acordo com essa passagem que pode ser citada nesta conexão é Rm 4.17, que fala de Deus, “que vivifica os mortos e chama à existência as cousas que não existem como se existissem” (Moffatt “que faz viver aos mortos e chama à existência o que não existe”). Contudo a declaração de ¨trazer as coisas a existências¨ pertence à própria natureza de Deus ser Ele capaz de chamar à existência o que não existe, e Ele o faz

5. CRIAÇÃO PROPICIA AO MUNDO UMA EXISTÊNCIA DISTINTA E, TODAVIA, SEMPRE DEPENDENTE.
a. O mundo tem existência distinta. Quer dizer que o mundo não é Deus, nem alguma parte de Deus, mas algo absolutamente distinto de Deus; e que difere de Deus, não meramente em grau, mas em suas propriedades essenciais. Deus é auto-existente e auto-suficiente, infinito e eterno, o mundo é dependente, finito e temporal. Um jamais poderá transformar-se no outro. Esta doutrina apóia-se em passagens da Escritura que (1) atestam a existência distinta do mundo, Is 42.5; At 17.24; (2) falam da imutabilidade de Deus, Sl 102.27; Ml 3.6; Tg 1.17; (3) traçam uma comparação entre Deus e a criatura, Sl 90.2: 102.25-27; 103. 15-17; Is 2.21; 22.17, etc.; e (4) falam do mundo como pecaminoso ou jazendo no pecado, Rm 1.18-32; 1 Jo 2.15-17, etc.
b. O mundo é sempre dependente de Deus. Apesar de Deus ter dado ao mundo uma
existência distinta da Sua, não se afastou do mundo após havê-lo criado, mas continuou na mais estreita conexão com ele. Dele se diz que enche o céu e a terra, Sl 139.7-10; Jr 23.24, constitui a esfera em que vivemos, nos movemos e existimos At 17.28, renova a face da terra por Seu Espírito, Sl 104.30, habita nos quebrantados de coração. Sl 51.11; Is 57.15, e na igreja como Seu templo, 1 Co 3.16; 6.19; Ef 2.22. Tanto a transcendência como a imanência, acham expressão numa mesma passagem da Escritura, a saber, Ef 4.6, onde o apóstolo diz que temos “um só Deus e pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”.

6. O FIM ÚLTIMO DE DEUS NA CRIAÇÃO. A glória declarativa de Deus. A igreja de Jesus Cristo encontrou o verdadeiro fim da criação, não em alguma coisa que esteja fora de Deus, mas em Deus mesmo, mais particularmente na manifestação externa da Sua excelência inerente. Deus criou o universo  para tornar a Sua glória saliente e manifesta. As gloriosas perfeições de Deus são demonstradas em toda a Sua criação; e esta demonstração não é para uma vã mostra, para uma exibição para ser meramente admirada pelas criaturas, mas visa também à promoção do seu bem-estar e da sua perfeita felicidade.
O fim supremo de Deus na criação – a manifestação da Sua glória – inclui, pois, como fins subordinados, a felicidade e salvação das Suas criaturas, e o recebimento de louvor de corações agradecidos e desejosos de adora-lo. Esta doutrina tem suporte nas seguintes considerações: (1) Baseia-se no testemunho da Escritura, Is 43.7; 60.21; 61.3; Ez 36.21, 22; 39.7; Lc 2.14; Rm 9.17;11.36; 1 Co 15.28; Ef 1.5, 6, 9, 12, 14; 3.9, 10; Cl 1.16. (2) Dificilmente o Deus infinito escolheria alguma coisa inferior ao fim supremo em toda a criação, e esse fim se pode achar nele mesmo. Se nações inteiras, comparadas com Ele, não passam de uma gota num balde, e são como o pó da balança, então, certamente, a Sua glória declarativa é intrinsecamente de muito maior valor que o bem de Suas criaturas, Is 40.15, 16. (3) A glória de Deus é o único fim coerente com a Sua independência e soberania. Cada qual depende de quem ou do que ele escolhe como o seu fim último. Se Deus escolhesse algo da criatura como o Seu fim é ultimo, isto O tornaria dependente da criatura naquela medida. (4) Nenhum outro fim seria suficientemente compreensivo para constituir o verdadeiro fim de todos os caminhos e obras de Deus na criação. Esse tem a vantagem de abranger, como subordinados, vários outros fins. (5) Esse é o único fim real e perfeitamente alcançado no universo.
IV. Criação do Mundo Espiritual
A Natureza dos Anjos.
1. DIFERENTEMENTE DE DEUS, OS ANJOS SÃO SERES CRIADOS. A criação dos anjos é ensinada com clareza na Escritura. Sl 148.2,5 e Cl 1.16 falam claramente da criação dos anjos (comp. 1 Rs 22.19; Sl 103.20,21). Os Anjos ao que parece, a única afirmação segura é que foram criados antes do sétimo dia. Pelo menos é o que se deduz de passagens como Gn 2.1; ex 20.11; Jó 38.7; Ne 9.6.

2. OS ANJOS SÃO SERES ESPIRITUAIS E INCORPÓREOS. As explícitas
afirmações da Escritura de que os anjos são pneumata, Mt 8.16; 12.45; Lc 7.21; 8.2; 11.26; At 19.12; Ef 6.12; Hb 1.14. Não têm carne e ossos, Lc 24.39, não se casam, Mt 22.30, podem estar presentes em grande número num espaço muito limitado, Lc 8.30, e são invisíveis, Cl 1.16. Passagens como Sl 104.4 (comp. Hb 1.7); Mt 22.30; e 1 Co 11.10 não provam a corporalidade dos anjos.
É evidente, porém, que eles são criaturas e, portanto, limitados e finitos, apesar de terem mais livre relação com o espaço e o tempo do que o homem. Não podemos atribuir-lhes ubi definitivum (localização definida). Eles não podem estar em dois ou mais lugares simultaneamente.
3. SÃO SERES RACIONAIS, MORAIS E IMORTAIS. Quer dizer que são seres pessoais, dotados de inteligência e vontade. O fato de que são seres inteligentes parece inferir-se imediatamente do fato de que são espíritos; mas também a Bíblia ensina isso explicitamente, 2 Sm 14.20; Mt 24.36; Ef 3.10; 1 Pe 2.11. Embora não oniscientes, são superiores aos homens em conhecimento, Mt 24.36. Além disso, têm natureza moral e, nesta qualidade, estão sob obrigação moral; são recompensados pela obediência, e punidos pela desobediência. A Bíblia fala dos anjos que permaneceram leais como “santos anjos”, Mt 25.31; Mc 8.38; Lc 9.26; At 10.22; Ap 14.10, e retrata os que caíram como mentirosos e pecadores, Jo 8.44; 1 Jo 3.8-10. os anjos bons são também imortais, no sentido de que não estão sujeitos à morte. Quanto a isso se diz que os santos do céu são semelhantes a eles, Lc 20.35, 36. Eles formam o exército de Deus, uma hoste de heróis poderosos, sempre prontos a fazer o que o Senhor mandar, Sl 103.20; Cl 1.16; Ef 1.21; 3.10; Hb 1.14; e os anjos maus formam o exército de Satanás, empenhados em destruir a obra do Senhor, Lc 11.21; 2 Ts 2.9; 1 Pe 5.8.
4. HÁ ANJOS BONS E ANJOS MAUS. A Bíblia dá pouca informação a respeito do estado original dos anjos. Lemos, porém, que no fim de Sua obra criadora Deus viu tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. Além disso, Jo 8.44; 2 Pe 2.4; Jd 6 pressupõe uma boa condição original de todos os anjos. Os anjos bons são chamados “anjos eleitos”, 1 Tm 5.21. São chamados não somente santos anjos, mas também anjos de luz, 2 Co 11.14. Sempre contemplam a face de Deus, Mt 18.10, servem-nos de exemplos na prática da vontade de Deus, Mt 6.10, e têm vida imortal, Lc 20.36.

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