C. O Castigo Efetivo do Pecado.
A penalidade com a qual Deus ameaçou o homem no paraíso foi
a pena de morte. A morte que aqui se tem em mente não é a morte do corpo, mas
do homem total, morte no sentido bíblico da palavra. A Bíblia desconhece a
distinção, tão comum conosco, entre a morte física, a espiritual e a eterna;
ela tem uma visão sintética da morte e a considera como separação entre Deus e
o homem. A pena foi também executada efetivamente no dia em que o homem pecou,
embora a plena execução dela tenha sido sustada temporariamente pela graça de
Deus. De maneira bem antibíblica, alguns transferem a sua distinção para a
Bíblia, e sustentam que a morte física não deve ser considerada como pena do
pecado, mas, antes, como o resultado natural da constituição física do homem.
Mas a Bíblia ignora esta exceção. Ela nos faz sabedores da penalidade constante
da ameaça, que é a morte no sentido compreensivo da palavra, e nos informa que
a morte entrou no mundo por meio do pecado (Rm 5.12), e que o salário do pecado
é a morte (Rm 6.23). A penalidade do pecado certamente inclui a morte física,
mas inclui muito mais que isso.
Fazendo a distinção a que estamos acostumados, podemos dizer
que ela inclui os seguintes fatos:
1. MORTE ESPIRITUAL.
Há uma profunda verdade no pronunciamento de Agostinho de que o pecado também é
punição do pecado. Significa que o estado e a condição pecaminosos em que o homem
nasce, por natureza
fazem parte da
penalidade do pecado.
São, é certo,
as conseqüências imediatas do pecado, mas também fazem parte da
penalidade ameaçada. O pecado separa de Deus o homem, e isso quer dizer morte,
pois é só na comunhão com o Deus vivo que o homem pode viver de verdade. No
estado de morte, que resultou da entrada do pecado no mundo, levamos o fardo da
culpa do pecado, culpa que só pode ser removida pela obra redentora de Jesus
Cristo. Portanto, estamos obrigados a padecer os sofrimentos resultantes da transgressão
da lei. O homem natural carrega para onde vai o senso da sujeição à punição. A consciência
constantemente o faz lembrar-se da sua culpa, e com freqüência o temor da
punição enche o seu coração. A morte espiritual significa, não somente culpa,
mas também corrupção. O pecado é sempre uma influencia corruptora na vida, e
isso é parte da nossa morte. Por natureza somos, não somente injustos aos olhos
de Deus, mas também impuros. Esta impureza se manifesta em nossos pensamentos,
em nossas palavras e em nossas orações. É sempre ativa dentro de nós, agindo
como uma fonte envenenada a poluir as correntes da vida. E se não fosse a influencia
restringente da graça comum de Deus, tornaria a vida social inteiramente
impossível.
2. OS SOFRIMENTOS DA VIDA. Os sofrimentos da vida, que
resultam da entrada do pecado no mundo, também estão incluídos na penalidade do
pecado. O pecado produziu distúrbios em todos os aspectos da vida do homem. Sua
vida física caiu presa de fraquezas e doenças, que redundam em desconfortos e,
muitas vezes, em penosas agonias; e sua vida mental ficou sujeita a
perturbações angustiantes, que muitas vezes o privam da alegria de viver,
desqualificam-no para o seu labor diário e, por vezes, destroem por completo o
seu equilíbrio mental. Sua própria alma veio a ser um campo de batalha de
pensamentos, paixões e desejos conflitantes. A vontade se recusa a seguir o
julgamento do intelecto, e as paixões se mantinham, sem o controle de uma vontade
inteligente. A verdadeira harmonia da vida se acha num estado de dissolução que
freqüentemente leva consigo os sofrimentos mais pungentes. E não só isso, mas,
com o homem e por causa dele, toda a criação ficou sujeita à vaidade e à
escravidão da corrupção. Especialmente os evolucionistas nos ensinaram a ver a
natureza “rubra (de sangue) nas garras e nos dentes”. Muitas vezes as forças
destruidoras são liberadas causando terremotos, ciclones, tornados, erupções
vulcânicas e inundações que trazem indescritível miséria à humanidade. Pois
bem, há muitos, principalmente em nossos dias, que não vêem a mão de Deus nisso
tudo e não consideram essas calamidades como parte da penalidade do pecado. E,
todavia, é exatamente o que elas são, num sentido geral. Contudo, não será
seguro particularizar e interpreta-las como punições especiais
por graves pecados
cometidos pelos que
vivem nas áreas
atingidas. Tampouco será prudente ridicularizar a idéia de que essa
relação existiu no caso das cidades da planície (Sodoma e Gomorra), que foram
destruídas pelo fogo do céu.Devemos ter sempre em mente que há uma
responsabilidade coletiva, e que sempre há motivos suficientes para Deus visitar
cidades, regiões ou países com calamidades medonhas. Antes é de se admirar que
não os visite mais vezes em Sua ira e em Seu severo desprazer. É bom ter sempre
em mente o que Jesus disse uma vez aos judeus que Lhe trouxeram informações
sobre uma calamidade que sobreviera a certos galileus, e evidentemente
insinuaram que aqueles galileus deviam ter sido grandes pecadores: “Pensais que
esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem
padecido estas coisas? Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes,
todos igualmente perecereis. Ou cuidais que aqueles dezoito, sobre os quais desabou
a torre de Siloé e os matou, eram mais culpados que todos os outros habitantes
de Jerusalém? Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos
igualmente perecereis” (Lc 13.2-5).
3. MORTE FÍSICA. A separação de corpo e alma também faz
parte da penalidade do pecado. Que o Senhor tinha isto em mente também na
penalidade ameaçada é mais que evidente na explicação dele feita com as
palavras “tu és pó e ao pó tornarás”. Gn 3.19. Também transparece na
argumentação de Paulo em Rm 5.12-21 e em 1 Co 15.12-23. A posição da igreja
sempre foi que a morte, no pleno sentido da palavra, inclusa a morte física,
não somente conseqüência, mas também, penalidade do pecado. O salário do pecado
é a morte. O pelagianismo negou esta relação, mas o Sínodo geral Norte-africano
de Cartago (418) pronunciou um anátema contra quem quer que diga “que Adão, o
primeiro homem, foi criado mortal, de maneira que, pecasse ou não, morreria,
não como salário do pecado, mas por necessidade da natureza”.
Alguns pensadores virtualmente fazem do pecado uma força
necessária ao desenvolvimento moral e espiritual do homem. Suas opiniões
encontram apoio na ciência natural dos dias atuais, que considera a morte física
um fenômeno natural do organismo humano. A natureza física do homem é tal, que
ele morre necessariamente. Mas esta idéia não se faz e comendável, em vista do
fato de que o organismo físico do homem se renova a cada sete anos, e de que
relativamente são poucas as pessoas que morrem em idade provecta e por exaustão
total. Em número muitíssimo maior, morrem em resultado de doença ou acidente. A
idéia é contrária também ao fato de que o homem não sente que a morte é uma
coisa natural, mas a teme como uma antinatural separação de coisas que se
pertencem mutuamente.
4. MORTE ETERNA. Esta pode ser considerada como a
culminância e a consumação da morte espiritual. As restrições do presente
desaparecem, e a corrupção do pecado tem a sua obra completa. O peso total da
ira de Deus desce sobre os condenados, e isto significa morte no sentido mais
terrível da palavra. A condenação eterna deles é levada a corresponder ao
estado interno das suas ímpias almas. Há angustias de consciência e sofrimentos
físicos. E “a fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos” (Ap
14.11). A consideração mais ampla deste assunto pertence à escatologia.
então existe a segunda morte? entendi, não quero ir pra morte eterna quer dizer, não existe morte porque se existisse seria um premio pro pecador. mais uma pergunta, quando a evangelista vai falar aqui de novo?
ResponderExcluirQue bom que voce não quer experimentar a Segunda morte. Hoje (Domingo dia 17/03) ela estará pregando em Volta Redona e será devidamente postado o sermão.
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